Definitivamente, eu me sinto em casa caminhando na Avenida Paulista. Meu total descompromisso, minha pose de flanêur, meu olhar que passeia pela variedade de pessoas e eu mesma que me vejo passeada por elas, curiosas, me trazem uma alegria enorme de poder estar aqui. Me sinto autônoma no anonimato que aquele lugar me proporciona e várias pequenezas e medos e receios perdem o sentido nessa meditação urbana que tais calçadas me proporcionam. Penso sempre no meu querer fazer parte daquilo tudo, de me ver paulistana nem que seja por uns tempos. Mas logo em seguida penso que a alegria desinteressada que sinto agora seria perdida se passasse a pertencer a este lugar. (...) Adoro estar paulistana. São sempre dias divertidos os meus de estar por aqui.
Escrito por A dona do jardim às 21h13
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Da série AQUI DO LADO DE DENTRO: Mais um adeus
Estou começando a ficar com medo de que a minha notável e excessiva e propagada e contínua e inerente sensibilidade termine por me transformar em uma pessoa fria. Cínica, pra melhor me expressar. Porque já foram tantos anos me doendo por coisas tão diversas, com tantos hectolitros de lágrimas derramadas sozinha em frente ao espelho ou implorando carinho a meu travesseiro, que terminei por me cansar de ser tão feita de açúcar. Sempre fui forte como um touro, pelo menos à primeira vista, mas toda e qualquer hematoma em meu leve espírito era capaz de me fazer chorar. Perdi as contas de quanto me vi desmilinguida na frente de desconhecidos ou tentando retomar o fio de argumentação com a voz embargada ou sem conseguir me controlar de tristeza perante as coisas mais pequenas. (...) E comecei a engolir as dores antes que elas se liquifizessem em meus olhos, e passei a substituir reclames por risadas, perdendo tanto na profundidade aparente que cheguei a me desconhecer perante meu reflexo. E é tão doido o que se dá por conta disso: a necessidade de lidar com minha fragilidade emocional (ou seria uma alma tão pertinho da pele que qualquer ventinho à toa já a macularia fundo) tem me feito passar a largo de sentimentos que aceitaria de bom grado em outras situações. Mas é que ando um tantinho cansada de viver de forma tão intensa cada momento dessa existência recebida lá atrás de sabe-se lá quem. Mas o imensurável precipício sempre esteve aqui dentro e não perdeu nem um único centímetro de profundidade. Tenho medo ao pensar no dia em que os ecos se soltarem do meu peito, como todo sentir de uma humananidade que se liberta da caixa ao toque da jovem Pandora. Não hão de sair apenas males, isto não está sob negociação, mas apenas imaginar o sem número de coisas que estão sendo derramadas do lado inverso já é o bastante para me deixar ansiosa. (...) Tudo isso é em homenagem ao ídolo pop que se vai, levantando um sem-número de lamentos e motivando condolências tantas que me sinto perdida em meio à tamanha emoção. Porque Michael Jackson morreu e, sinceramente, eu não dou a mínima pra isto. (...) Afinal de contas, as pessoas morrem, né?!
Escrito por A dona do jardim às 01h50
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Da série VALE A PENA VER DE NOVO: Capítulo 4
Da série FUTILIDADES, FRESCURAS E FRU-FRUS: Olhar noturno I 
Tenho corrido muito. Eu e meu amigo Tempo estamos discordando um pouco acerca de sua disponibildiade. O trabalho vem como uma fog inglesa e inebria toda minha existência. A novidade boa é enorme e também double-face: o trabalho que anda me embebendo inclui projetos meus além das (rotineiras) demandas alheias. Além disso, tenho me ocupado de fazer as coisas com mais carinho e foco, o que às vezes altera o ritmo mas satisfaz o meu coraçãozinho cansado. Mas, ando me perguntando que tipo raro de molécula constitui as demandas no serviço público, que se multiplicam como Gremlins lançados numa piscina olímpica. Tsc, tsc... Nota-se que o cérebro de uma pessoa está em fim de carreira quando ela utiliza referências cinematográficas top-top da Sessão da Tarde da infância anos 80. Afff... Sei que você, moça bem-alfabetizada que é, deve estar se perguntando agora se sua educação de base foi mesmo assim tão boa, já que você pensa ter lido no título deste post algo como "Uhu!! Dicas de maquiagem e futilidades grátis!". E, até agora, eu só falei do meu universo interno, do universo paralelo onde transito e mesmo de bichos-verdes-malvados-gosmentos-vilões-da-Tela-Quente. Mas, tranquilize-se. Não vai ser preciso voltar à sua carteira escolar. O post é mesmo sobre o melhor que há no fato de ter nascido apenas com letrinhas "X" em seu mapa genético: frescurite socialmente liberada e aprovada. Porque, mulher que ignora sua aptidão natural para frescurite é um milhão de vezes mais inacreditável que os monstros verruguentos que costumavam brotar das costas do Guismo. Entonces, para fazer valer o seu tempo investido até esta linha do texto, vamos ao OLHO-FESTA.
Para OLHO-FESTA, nós vamos unir novos elementos ao OLHO-DIA-DE-SEMANA. Os brilhos entram em cena e já é permitido jogar com as cores menos naturais. O que ainda não é permitido são as viadagens tipo-diva-de-cinema, como postiços, pretos carregados ou combinações à la editorial de moda. Afinal esta é a maquiagem para quando você quer bombar, e isso inclui dançar a noite inteira e ser olhada com interesse pelas outras pessoas de ambos os sexos e não de ficar batendo papo com seu amigo gay e fashionista a noite inteira. Como você está recebendo esta lição por vontade própria, vou ser otimista e imaginar que você conheça os passos que precedem a sua transformação em uma moça de olhar 43. Se você caiu de pára-quedas, pague o seu módulo extra no Supletivo e dê uma lida nas dicas anteriores, para não sair por aí com olhos de deusa e pele de civil, s'il vous plaît. Corretivo, pó e extras nessa tez, garota!
Dito isso, saibamos que vamos precisar de alguns apetrechos: estojo de sombras + lápis preto/branco/marrom + delineador preto + rímel alongador mega-ultra-power + pincéis. Alors, desçamos ao Playground! ESTOJO DE SOMBRAS: Para um olho que se destaque na noite, o truque é usar tons de sombra com cores próximas. Possibilidades: marrom/amêndoa/cobre ou branco/cinza/prata ou bege/dourado/pérola ou preto/prata/branco ou berinjela/lilás/lavanda. Ok, tenho certeza que várias dessas tonalidades citadas só estão no seu universo semântico quando o assunto é gastronomia ou perfume. Então, siga a estrada de tijolos amarelos abaixo: Em geral aqueles estojinhos de 02 ou 03 cores de sombra que vendem por aí são montados por pessoas de bom-senso, o que já serve como balizador para sua combinação. Para você que está começando a pegar gosto pela frescura mas ainda não quer gastar tubos de din-din, a CONTEM 1G, Natura, Marcelo Beauty e Boticário oferecem honestas opções. Não arrisque o velho e bom Elke, que peca pela textura e deixa sua maquiagem com cara de menina pobrinha. Indico fortemente a Bourjouis, que é pagável e tem cores lin-das; O segredo da aplicação é entender que cada tom tem uma área específica do olho para se destacar. E pra isso existe uma sequência (ordem é tudo na vida, minha mãe já dizia.. rs). Cobrindo a pálpebra superior, apenas no arrendodado do olho, aplique a sombra de tom mais escuro do kit e com menor brilho. Ela serve de base pra olhar. Nunca deixe vazar pelo canto interno do olho, porque vai ficar com cara de estagiária preguiçosa de maquiador e não é isso que a gente quer... Passe bem, deixando uniforme mas não chapado. Não pode parecer que você se pintou com tinta guache, ok?! No fim, dê uma esfumaçada com a ponta do dedo pra ficar natural; Aqui começa o pulo do gato: a sombra média, aquela que ainda não é só um pozinho translúcido. Ela entra agora. Pense que na área entre seu cílios e sua sobrancelha tem um Triângulo Escaleno. (?) Como eu sei que você colou nessa aula, eu pus o link aí. Vai lá conferir que eu espero... Pois bem; você deve espalhar a sombra como se cobrisse o desenho, indo do canto interno do olho (ponto A) em uma diagonal até o canto externo da sobrancelha (ponto B/C). Esfumace tudo, cobrindo de leve a parte mais perto da sobrancelha. Eu disse de leve e esfumaçado, viu, mocinha?! Por fim, mas não menos importante, o brilho. Ele vai ser dado pela sombra mais leve do kit, que pode ser substituída por uma sombra iluminadora comprada em separado. A Boticário realmente bomba nesse quesito, e mesmo caras as sombras rendem muito, mas muuuuito mesmo. Você dá apenas leves aplicações do produto no 1/4 externo do olho. E, para o toque final, aplique com um pincel fino um trisco da sombra no canto interno do olho, rente à pálpebra superior. TCHANS! Olhar trucado mas sem legendas.... Por fim, veja se você consegue identificar a fronteira entre as sombras. Se a resposta for sim, esfumace mais um pouco. Não esqueça de tirar com um demaquilante os inevitáveis borrões, especialmente perto do nariz.
LÁPIS: Espero que essa parte você já tenha aprendido, gata! O que muda é: Aplique o lápis preto bem rente ao cílios de baixo, mas pelo lado de fora. Se você deitar um pouco o lápis ajuda; Passe na extensão de baixo toda, pesando bem do lado de fora e só delineando o lado de dentro. No 1/4 externo pode até dar uma borradinha por baixo dos cílios inferiores. Dentro é bem levinho; a idéia aqui não é ficar com cara de Cleópatra e sim deixar o olhar marcante; Dê um toque de branco no canto interno do olho, mas pela parte de dentro; Corrija possíves falhas na sobrancelha com lápis marrom. Se você é como eu e tem taturanas pretas residindo sobre seus olhos, nem pense em fazer isso. Abstraia as falhas e leve a vida. Ou melhor: faça uma pausa nessa leitura frívola, ligue para o maravilhoso Rei e marque um horário para ele fazer suas sobrancelhas. Tentar retocar com lápis preto vai transformá-la numa Rainha do Milho anacrônica, portanto não insista.
DELINEADOR PRETO: (...) Olha, deixa eu ser sincera. Eu imagino que você, como metade dos mortais do sexo feminino com mais de 12 anos, deva estar afinzona de aprender a passar o delineador. No entanto, como boa moça-didática-filha-de-pedagoga que eu sou, não vou matar você com mais informações. Essa parte é delicada e tem vários pequenos truques para pintar bem os olhos sem parecer um guaxinim. Assim, páro por aqui e retorno em breve. Peço que vocês sejam moçoilas colaborativas e digam se algo não estiver rolando. Deixem seus comentários que assim eu volto mais rápido para terminar essa etapa de nossa "Operação-Divas".
Escrito por A dona do jardim às 13h13
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Da série VALE A PENA VER DE NOVO: Capítulo 3
Da série FUTILIDADE, FRESCURAS E FRU-FRUS: Bandeira branca 
AVISO IMPORTANTE: Se você é um homem que caiu de pára-quedas neste blog, é melhor parar de ler este post por aqui. As coisas que vou confessar não dizem respeito ao universo masculino; são língua estranha para os portadores dos XY. Vai ler outra coisa que você ganha mais!
Quem diria que algum dia meus cabelos agradariam alguém?... Os cachos pendentes sobre minha cabeça sempre foram grandes oponentes, por sua rebeldia, falta de forma e talento inigualável para ar-ra-sar minha já frágil auto-estima. Passei a maior parte de minha vida com o cabelo preso, com coque, presilha, troncho e mal-amado, cheio de químicas inúteis. Não me achava nunca! A gente não se entendia e eu vivia uma novela: a mocinha manipulada pelo inimigo mau. (rs) Só para se ter uma idéia, eu fiquei black por acaso. Vale o breve relato: sem dinheiro para retocar a raiz (mulheres cacheadas sabem bem o que é isso) entrei em uma biboca qualquer para mudar o corte, só para tapear a feiúra. Em questão de minutos a inabilidosa cabelereira já tinha me transformado em uma espécie de poodle molhado. Acho que ela tava bêbada e eu não percebi, de tão ruim que foi o resultado. Saí do salão chorando, ligando pro marido para saber se ele iria me aceitar mesmo estando a própria estampa do capeta. Eu fiquei tão desesperada que decidi quebrar o cofrinho, entrar no cheque especial e fui num salão super badalado para ver se alguém poderia me salvar. Caí na mão de Rei (um luxo! O cara que manda em minha madeixas até hoje) e ele disse que a única solução era cortar TODA A QUÍMICA, ou seja, uns 80% do cabelo. Era isso ou a forca. Fiquei com a primeira opção... Tchan! Eis que hoje sou uma nêga maluca assumidíssima. Ainda nesse episódio, fui catequizada pelo cabelereiro, que me explicou que cabelo difícil é igual mulher perua de multimilionário: tem que ser bem-tratado, senão joga sujo mesmo. Me indicou produtos maravilhosos, que juntos somavam umas 3 cifras. Me ensinou a usar e me ameaçou dizendo que se eu continuasse usando BIORENE na próxima vez ele não iria me atender. Eu, encantada com o resultado black power, obedeci. E integrei algumas marcas à minha cesta de futilidades mensais. É tudo caro, caro mesmo, à primeira vista. Se você é como eu que acha que lugar de comprar xampu é no Bompreço, vai ter que mudar de idéia rapidinho: bons produtos de verdade estão nos salões e lojas especializadas. Mas, juro, vale a pena. Você usa beeeeeem menos que os produtos baratos, o resultado dura mais e fica sensivelmente melhor. Vale tentar!
- Shampoo e condicionador: BONACURE, da Schwarzkopf. Tudo de bom! / KEUNE. Mais fácil de encontrar. MODO DE USAR: Molhe bem o cabelo para tirar um pouco da sujeira. Coloque o shampoo primeiro na sua mão, esfregue-as e depois passe no cabelo. Com carinho; seu cabelo não é pano de chão. Enxague e faça tudo de novo. Para cabelos como o meu, que são curtos mas bem, bem cheios, a medida de produto por vez é do tamanho de uma moeda de R$0,50. Parece pouco mas dá e sobra. Aí massageie o couro cabeludo até espumar bem. Pro condicionador vale a mesma coisa, só não precisa repetir. E nunca, mas NUNCA mesmo, deixe um restinho de condicionador achando que vai hidratar. O cabelo só vai ficar gogado....
Leave-in (finalizadores sem enxague): INTRAKERA, da Imagine. Às vezes é difícil de achar em Salvador./ SCULPING LOTION, da Keune. Vale, mas o outro é melhor. MODO DE USAR: Com o cabelo úmido, coloque mais ou menos a medida de uma moeda de R$1,00 na mão. Esfregue bem as mãos e comece a espalhar no cabelo. Tenha paciência; tem que ir passando ao longo das mechas do cabelo. Quando tiver bem espalhado, comece a apertar o cabelo. Isso mesmo: apertar e amassar bem. Isso vai diminuir o volume e garantir que ele seque com os cachinhos no lugar. Um luxo! (segredinho: quando eu tô sem saco nenhum, eu pico creme de pentear NEUTROX 4. Só vale o 4, que é pra cabelo tingido, mais potente. Não apele usando outro. Como esse creme é bem pesado, o cabelo ganha forma mais rápido. Mas não use sempre: com o tempo o cabelo vai ficando queimado. E aí, já sabe: tesoura! Portanto, não abuse.) Creme de tratamento: Vale o das marcas anteriores. MODO DE USAR: 1 vez a cada 15 dias. Basta lavar bem o cabelo antes, só com shampoo. E passe o creme bem direitinho em mecha por mecha. Considerando que a gente mora numa cidade tropical e ensolarada, e que parte de nós trabalha no ar-condicionado, isso é realmente bem-vindo.
A moral deste post é: trate bem suas madeixas, assuma-as, teste novas formas de usar, façam as pazes. E não se contente com cabelinhos murchos sufocados em xuxas ou presilhas. Ou, pior, alisados à força e contra a vontade, por simples preguiça de se assumir. Se deixar levar pelos modismos por acomodação nunca é uma boa opção. E não estou falando apenas de cabelos! Nota para as lisas: eu vou aprender como usar finalizadores como pomade e modeladores. Garantia de cabelos com volume e cheios de estilo.
Escrito por A dona do jardim às 20h33
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Da série COISAS QUE EU JÁ SABIA: Receita simples
No final das contas, sou mesma composta de suspiros (Casca firme e crocante que cede à pressão de dentes) Mas basta gotinha de água pra revelar um interior açucarado...
Escrito por A dona do jardim às 17h51
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Da série VALE A PENA VER DE NOVO: Capítulo 2
Da série FUTILIDADE, FRESCURAS E FRU-FRUS: Arsenal Básico

Depois de dias e dias sendo cobrada por amigas ansiosas em conhecer mais sobre o mundo mágico da frescurite, voltei para começarmos a explorar esse maravilhoso universo. Vou começar pelo início: o arsenal básico de qualquer aspirante a femme fatale. A princípio pode parecer coisa demais. Mas, acredite; não é. Para maquiar bem o rosto é necessário passar por umas 05 fases distintas, que vão da limpeza da pele à finalização. Não tenha preguiça! Um trabalho completo pode ser bem-feito em parcos 15 minutos. E garantir uma noite mais divertida para todas! Além disso, sei que nenhuma mulher em sã consciência vai comprar maquiagem Lancôme com seu salário do mês. Isso é certo. Aproveito então para indicar marcas de cosméticos viáveis e funcionais, nacionais, já experimentadas por anos de auto-teste e teatro. Tudo que vou listar aqui foi testado e aprovado pelo meu próprio rostinho. Obviamente você vai ver o que dá certo para você e o que não dá. Aí, as alterações vão sendo feitas e no fim você vai ter seu próprio arsenal feminino. Os itens estão dividos em: - ESSENCIAIS - não dispense mesmo, sob a pena de sua maquiagem ficar um terror ou, pior, sua pele ficar cheia de espinhas e ressecada;
- BEM-VINDOS - vão deixar o resultado melhor, mas podem ser dispensados sempre que desejado (ainda mais morando em Salvador que é quente pra dedéu);
- GLAMOUR - para dias especiais; vão te deixar com cara de diva. Ui!
Neste post vamos ficar apenas nos ESSENCIAIS: - Um bom sabonete barra, líquido ou creme de limpeza (eu uso: AVÉNE ou DOVE. Marcas possíveis: CLEAN CLEAR, AVON, NATURA). Vai servir para antes e para tirar o make-up depois. Não vale sabonete comum, porque vai deixar a pele repuxando;
- Um hidratante não-oleoso (eu uso: PURE-ZONE, da Loreal. Ótimo! Marcas possíveis: CLEAN-CLEAR, O BOTICÁRIO, qualquer outro que você já use e não seja oleoso). Este é um truque mágico aprendido na escola de Teatro. Impede que sua cara fique cheia de espinhas, com poros entupidos e que o tempo deixe suas marcas mais rápido em seu rostinho. Tem que ser gel ou fluido. Se for creme a maquiagem vai derreter assim que você pisar na rua;
- Um corretivo bastão ou líquido (eu uso AVENE, que é uma marca francesa. Não é frescura; comprei muuuuuito barato. Marcas possíveis: ELKE, O BOTICÁRIO, NATURA). Esse é essencial para vida. Elimina olheiras, vermelhidão e marcas diversas se bem aplicado. Sempre teste no rosto ou na parte de cima da mão quando for comprar. Nunca no pulso! Tem que ser um pouquinho mais claro que sua pele. Se errar, não tem jeito: compre outro. Senão você fica com cara de traveca em fim de carreira;
- Lápis de olho preto (eu uso MARCELO BEAUTY. Marcas possíveis: TODAS. Só não vale comprar aqueles que não tem nem marca. Lembre-se que você vai colocar este troço no olho. Evite possíveis tersóis comprando pelo menos um ELKE, que é bem barato, não escorre e não dá alergia). Útil para mudar a cara em um tapa. Indispensável;
- Rímel preto (eu uso BOURJOIS. Marcas possíveis: TODAS. Vale a mesma dica do lápis). Transforma o olhar de qualquer pessoa. Vale investir em um que dê volume, acredite;
- Batom cor de boca (eu uso: QUALQUER UM.) Só tem que ficar bem em sua boca e não pode deixar ressecado. Os da ELKE são uma boa. Mas tem que testar.). Um batom bacana dá um ar saudável e faz as vezes de sombra e blush em dias de desespero.
- Uma escova de dente velha ou pincel de rímel limpo. Ótimo aparato para pentear a sobrancelha e desfazer os bolinhos de rímel nos cílios.
Pronto! Este é o kit básico. A ordem de uso é exatamente como eu listei: sabonete - hidratante - corretivo - lápis - rímel - batom - escova. No próximo post eu explico como aplicar cada uma das coisas delicadamente. Tire sua bolsinha de maquiagem do armário e mãos à obra!
Escrito por A dona do jardim às 19h24
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Da série VALE A PENA VER DE NOVO: Capítulo 1
FUTILIDADE, FRESCURAS E FRU-FRUS: Feminices

Quem me conhece sabe o quanto eu posso ser fresca. Rímel, pó, sombras variadas, mil hidratantes e creminhos, finalizadores de cabelo, mais de 7 pulseiras por vez, sapato combinando com a bolsa, milhares de bijoux, bolsas coloridas; isso faz parte de minha rotina. ADORO TUDO!
Vasculho revistas femininas (que são uma crueldade para a auto-estima de qualquer mulher que não mora no PROJAC, diga-se de passagem) atrás das novidades mundiais de beleza e estética. A paleta de cores da maquiagem da próxima estação, o poder dos corretivos faciais, os avanços dos rímeis (cada vez mais milagrosos), os cremes que desafiam a gravidade e afins tomam boa parte de minha atenção quando estou folheando uma revista parada em pé na frente de uma banca.
No entanto, há pouco tempo descobri que nem todas são como eu. E descobri isso por acaso. Assuntando essas conversas de feminices, dei de cara com o grande mistério da Humanidade: onde estava grande parte de minhas amigas e colegas de trabalho durante a adolescência enquanto eu estava devorando pilhas de CAPRICHO? Aprendi que nem todas elas carregam necéssaires gigantes nas suas bolsas. E fiquei passada por me saber tão especialista em assuntos que são do total desconhecimento de várias belas mulheres.
Vale um parêntese: diferente do que se possa imaginar, inalei tanta futilidade para vencer minhas neuroses. Fui atrás de saber dessas coisas porque sempre fui uma mocinha pouco atraente e desprivilegiada pela natureza, assim me diziam. Eu sempre fui feia. Desinteressante. Torta. Sem charme. Com a boca grande demais. Com uma sobrancelha que me tomava a cara. Com muito cabelo. Uma uó, aos olhos gerais. Inclusive aos meus. Eu era a inteligente que não interessava a ninguém, e virei Revéillons a fio pedindo a Deus que me tornasse menos horrorosa.
Como nem reza brava resolve tudo, investi nesse valioso conhecimento (rs) para vencer o inimigo. Agora, posso me considerar uma conhecedora acima da média, que cede às delícias da frescuragem. Mas não a todas elas: eu me recuso a dar escova e a fazer as unhas. Porque eu acho que as feminices devem ser desfrutadas com prazer e jamais se tornar um prisão. E que deixem minha cutícula e meu black em paz!
Agora, em um ato de altruísmo, decidi compartilhar meus hectolitros de futilidade com as amigas. Este post inicia a série FUTILIDADE, FRESCURAS E FRU-FRUS, que tem como principal objetivo publicar dicas viáveis para que todas as moças que visitam este Jardim possam aprender um pouco mais sobre como aproveitar bem todas as mil oportunidades de ficarmos mais atraentes simplesmente por sermos mulheres. Podemos ousar muito mais do que os homens quando o assunto é modificar a nossa aparência e, pra mim, não se valer disso é meio que jogar fora o que de melhor existe na soma genética de dois cromossos X. Com alguns artefatos, podemos ser verdadeiras mutantes. Para nós isso é fácil. A TPM está aí para não me deixar mentir: temos por natureza um poder de transmutação mil vezes maior que os homens (inclusive para o lado negro da força. rs). Mas podemos ficar com a parte boa; basta sabermos usar bem toda nossa feminice! Então, mãos à obra! Sejam bem-vindas ao mundo mágico dos truques de beleza e dos aparatos estéticos que estão ao alcance de todas nós. Você, que nunca usou um lápis, só passou um blush no dia de sua formatura, jamais pensou em comprar um corretivo e acha que a Amy Winehouse faz aquele traço no olho com um hidrocor preto, este é seu lugar! Aqui, eu prometo que você vai aprender o mínimo necessário para se brincar de ser outra mulher pelo menos por uns instantes. Garanto que todas conseguem. Mesmo aquelas que nunca folhearam uma CAPRICHO...
Próximo post: O Arsenal Básico. Separe logo um pedacinho de seu salário...
Escrito por A dona do jardim às 09h41
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Da série COISAS QUE ESTOU OUVINDO: Auto-amor
Após anos de uma relação linda com uma pessoa que marcou pra sempre meu jeito de ser, demorei um pouco de me reencontrar com o amor-próprio. (Se saber em casal às vezes nos tira o tônus muscular necessário aos exercícios de um existir solitário) (...) Finalmente uma coisa boa se re-arrumou em mim após tempos encarando o vazio. Lembro bem do final de 2008 - período que agora já se faz meio distante, a despeito da impressão de que o ano atual não tinha o direito de ter passado tão ligeiro, desembocando em pleno São João sem sequer nos dar tempo de despir as fantasias de Carnaval. Ainda antes de estourar o champagne, já tinha me encontrado com a menina que gosto tanto e uma música marcou esta volta da filha pródiga ao meu lar. "Mensagem de Amor" (escutada ad infinitum pela de cá, a ponto de quase enlouquecer os que me cercavam - desculpa, Olguita! rsrrsrrsrs) me trouxe uma paz deleitosa na voz de Lucas Santanna. Tranquila e quase confissional, a letra transformou minhas ansiedades em calmaria, e não pude deixar de me perguntar por quem eu sorria. É fato: a minha alegria maior, que me motiva a via a este Jardim, foi justamente notar notar que ninguém mais se fazia necessário para eu ter prazer em amar. Amor pra mim mesma, que hora dessas eu compartilho com um outro alguém, mas que não necessita de uma outra presença para existir. Ai, ai.... Tão bom me ter sozinha com amor e carinho... Com olhos brilhando e sorriso fácil, partilhar esse sentir com quem o saiba receber é apenas uma questão (boa) de tempo. (...) E, voilà! Letra para aprender e cantar para si mesmo ao se ninar após um dia onde o que houver de mais caro for o seu bem-sentir.
MENSAGEM DE AMOR Lucas SantanaComposição: Herbert Vianna Os Livros na estante já não tem mais tanta importância Do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar, ao seu lado, Só pra ler, no seu rosto Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor
A noite eu me deito, então escuto a mensagem no ar Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado, Só pra ler no seu rosto Uma mensagem de Amor
Os Livros na estante já não tem mais tanta importância Do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar, ao seu lado, Só pra ler, no seu rosto Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor
A noite eu me deito, então escuto a mensagem do ar Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado, Só pra ler no seu rosto Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor
Escrito por A dona do jardim às 13h48
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Da série REVIVAL: Frescurites de volta!
A partir desta semana começo a republicar os posts da série FUTILIDADES, FRESCURAS E FRU-FRUS. Espero os ecos femininos de aceitação da nova proposta, que promete informações também para lisas e loiras, endereços bacanas de frescurite, técnicas de batalha na luta contra o tempo, listas com nomes/logos/marcas e todo humor que puder habitar estas mal traçadas linhas. 
Quê-Quê! Simbora Salvador! Tchá! Tchá! Tchá!
Escrito por A dona do jardim às 13h28
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Da série RASCUNHOS POÉTICOS: Cheiro de terra molhada
Com solo aquecido pelo excesso de atividades, o relevo interno se embebe em gotas de cansaço. Tufão e tremor e tempestade e tornados, todos coloridos pelos sabores diversos vindos de pontos cardeais que inventei em sonho. Tem muito barulho aqui dentro. Prefiro quando posso escutar passarinhos e cigarras que conversam sobre as últimas novidades de Outono. Mas o motor que trago no peito desafia os engenheiros mecânicos que nunca descobriram como fazê-lo mais silencioso. Desatino que acaba por me deixar apegada, e o não-ruído me soa sempre com estranheza de salão de festas após o baile. Tento ser calmaria. (...) Mas acho que viciei em flutuar entre as nuvens de tempestade....
Escrito por A dona do jardim às 16h49
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Da série PARA QUE SENTIDO MESMO?!: Eu estava lá
CENAS INUSITADAS QUE EU PRESENCIEI: Uma freira velhinha dirigindo uma Kombe em alta velocidade perto da Fonte Nova; Uma pick-up com a carroceria repleta de pastores alemães (uns 15) latindo ensandecidamente; Um cara vestido de samurai, com uma katana, às 5h da manhã, treinando sozinho em uma praia do Paraná; Uma mulher nua se lavando em uma poça d'água na rua; Um cachorro chorar desesperado ao ver sua amiga coelha (!) partir; Uma criança de 5 anos abraçar amorosamente uma réplica de Mona Lisa e dizer "Eu a-m-o a Monalisa"; Um artista super-profissional se debater no chão e berrar feito uma criança por causa de stress; Uma tempestade de raios; Um celular cair, atravessar a rua quicando e sequer desligar (sim, era um Nokia daqueles antigos...); Uma espectadora subir no palco de um TCA lotado durante um espetáculo de dança e repetir uma das sequências da coreografia; Uma pessoa pegar uma boa quantidade de dinheiro que o Guilherme Arantes (!) tinha deixado cair no meio do saguão do aeroporto; Um gato subir num coqueiro; Um poodle voar pela janela de um carro em movimento e nem se machucar; O celular de um ator tocar em seu bolso (e ele atender) no meio de seu próprio monólogo; O corpo de um homem fazer um looping no ar ao ser atropelado por um carro; Uma amiga quebrar uma janela de vidro com uma cabeçada; Cinco mulheres descerem de um Fusca na orla de Patamares, às 11h da manhã, vestidas de roupas de leopardo. (...) E você, qual seu hall de coisas non sense?
Escrito por A dona do jardim às 15h59
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Da série FILOSOFIA DE GTALK: Sobre a coragem de se lançar

Estar aqui é verbo. Ação! Viver é suar, sangrar, salivar, chorar. (...) Fluidos. (...) Viver mesmo é assim. Sem nada disso é só existência café-com-leite...
Escrito por A dona do jardim às 22h40
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Da série PRESENTES VIRTUAIS: Da minha pequena-amiga

Escrito por A dona do jardim às 20h25
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Da série RASCUNHOS POÉTICOS: Outros juízos
Sou feita de luz e silêncios, que se abrem no sorrir de dentes me mastigando com perguntas difíceis. Pernas minhas que penam pra se mostrarem tão grandes quanto os passos sonhados. Largo caminhar a cansar o juízo e deixar a alma amarrotada de tanto se dobrar pras idéias.
Escrito por A dona do jardim às 06h46
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Da série DIÁLOGOS IMAGINADOS: Proposta indecente
Um - Decidi que vou adotar um filhote de elefante e criar lá no seu quintal. Dois - (...) Um - Ouviu? Vi um filhote de elefante no zoo para adoção e me candidatei. Já preenchi a papelada; tudo esquematizado. Vou criá-lo lá no seu quintal! Dois - Sobre aquele seu convite de ontem, acho mesmo que um cineminha cairia bem hoje à noite. Um - Você prestou atenção? Decidi que vou adotar um filhote de elefante e criar lá no seu quintal. Dois - Bem, pensei em assistir o novo do Woddy Allen. Disseram que é bem divertido... Um - Ei! Você tá me ouvindo falar?! Eu decidi que vou adotar um filhote de elefante asiático e criar lá no seu quintal. Dois - A sessão melhor pra gente é às 20:40. Podemos ir no meu carro. Um - Acho que você ainda não entendeu, cara: um filhote de elefante. Lindão! Decidi que vou adotar e criar lá no seu quintal. Dois - Passo aqui às 20:15, pra irmos sem pressa. Esteja na portaria, ok?! Não esqueça de levar um casaco para não sentir frio como da última vez. Até já! Um - (...) Algumas idéias que as pessoas têm são tão descabidas que devem ser encaradas assim. Mesmo que seja uma (quase sempre) válida reflexão acerca de seus parâmetros de vida, a depender de qual for a perspectiva dela e do que estiver sendo dito, a idéia aventada pode ser tão nonsense quanto criar mamíferos selvagens de grande porte no fundo de casa... 
Escrito por A dona do jardim às 05h02
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Da série FILOSOFIA DE GTALK: Incertezas
Se estamos todos translando pelo Espaço, como afirmar que algum lugar aqui dentro é mesmo firme?
Eu por mim mesma, em momento de desconcertos...
Escrito por A dona do jardim às 18h26
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Da série MENSAGEM NA GARRAFA: Para Eve

Escrito por A dona do jardim às 22h19
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Da série SEGREDOS QUE NÃO PRECISO GUARDAR: Meu diretor
Sabe; há pessoas que me fazem bem. A companhia que tive no almoço de hoje é uma delas... (...) Que bom!
Escrito por A dona do jardim às 20h36
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Da série RASCUNHOS POÉTICOS: A arte de receber visitas

Sou uma amante das experiências. Do me lançar, me provar, me expor, me engajar. Aguardar as estradas se apresentarem para mim e me convidarem a segui-las. Eu as sigo quase sempre. Minha maneira primeira de trilhar caminhos imprevistos é aceitar desbravar o outro. O Universo do outro. A loucura do outro. (Alteridade como exercício apaixonado de viver perigosamente). Um olhar mais profundo já me soa como passaporte para um mundo novo que se esconde do lado de dentro. Gosto de mergulhar no outro. (Nunca prendo o fôlego). Me deixo afogar. Me deixo ser mergulhada, desbravada, revirada e pesquisada pelo outro também. Não me importa a bagunça que os visitantes deixam ao sair: livros e pensamentos jogados no chão da sala e marcas de mãos pelas paredes do corredor. Não ligo pra essa desarrumação passageira, que é sempre muito bem-vinda. Ela quase sempre me revela tesouros que estavam esquecidos no fundo das gavetas. Que são reavivados pela curiosidade de mãos estranhas. Minha paixão pelos visitantes permite mesmo que eles levem lembranças de sua estada em meu peito. Em meu corpo. Relatos e segredos e afetos e receitas ou apenas conchinhas delicadas estão ao alcance das mãos dos que assim desejarem. (...) Pode me levar... Fica melhor em você... É um jeito de me saber por perto... Eu tenho outro igual... Não precisa devolver... A experiência de te ter aqui dentro é a melhor paga a qualquer item que você deseje carregar de mim. (...)
Trecho do texto que me motivou a escrever sobre isso: (...) Vamos agora ao sujeito da experiência. Esse sujeito que não é o sujeito da informação, da opinião, do trabalho, que não é o sujeito do saber, do julgar, do fazer, do poder, do querer. Se escutamos em espanhol, nessa língua em que a experiência é “o que nos passa”, o sujeito da experiência seria algo como um território de passagem, algo como uma superfície sensível que aquilo que acontece afeta de algum modo, produz alguns afetos, inscreve algumas marcas, deixa alguns vestígios, alguns efeitos. Se escutamos em francês, em que a experiência é “ce que nous arrive”, o sujeito da experiência é um ponto de chegada, um lugar a que chegam as coisas, como um lugar que recebe o que chega e que, ao receber, lhe dá lugar. E em português, em italiano e em inglês, em que a experiência soa como “aquilo que nos acontece, nos sucede”, ou “happen to us”, o sujeito da experiência é sobretudo um espaço onde têm lugar os contecimentos.(...) Em qualquer caso, seja como território de passagem, seja como lugar de chegada ou como espaço do acontecer, o sujeito da experiência se define não por sua atividade, mas por sua passividade, por sua receptividade, por sua disponibilidade, por sua abertura. Trata-se, porém, de uma passividade anterior à oposição entre ativo e passivo, de uma passividade feita de paixão, de padecimento, de paciência, de atenção, como uma receptividade primeira, como uma disponibilidade fundamental, como uma abertura essencial. O sujeito da experiência é um sujeito “ex-posto”. Do ponto de vista da experiência, o importante não é nem a posição (nossa maneira de pormos), nem a “o-posição” (nossa maneira de opormos), nem a “imposição” (nossa maneira de impormos), nem a “proposição” (nossa maneira de propormos), mas a “exposição”, nossa maneira de “ex-pormos”, com tudo o que isso tem de vulnerabilidade e de risco. Por isso é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se “ex-põe”. É incapaz de experiência aquele a quem nada lhe passa, a quem nada lhe acontece, a quem nada lhe sucede, a quem nada o toca, nada lhe chega, nada o afeta, a quem nada o ameaça, a quem nada ocorre. Do texto Notas sobre a experiência e o saber de experiência*, de Jorge Larrosa Bondía
Escrito por A dona do jardim às 14h02
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Da série A MULHER NO ESPELHO: Tudojuntoaomesmotempoagora
É claro que eu vou me sentir cansada de vez em quando... Faço Mestrado, trabalho, estudo todos os dias nem que seja um pouco, presto atenção no que coloco no meu prato, faço exercícios quase que diariamente, mantenho minha conta bancária em dia, cuido de minha alma e tenho uma vida social recheada. (Alerta! Este post versa única e exclusivamente sobre minha pessoa. Se não tiver expresso interesse neste tema, clique aqui e vá pensar na vida...) É óbvio que o meu tempo é apertado... Toda manhã eu já saio com a agenda do dia definida, e isso significa que tenho que prever se vou ou não àquela estréia da peça do amigo, pra pegar um casaco e não sentir frio no teatro à noite; confiro sempre se a bateria do celular é suficiente pro dia, senão significa levar o carregador; lembro que vou precisar retocar a maquiagem em algum momento e que meus dentes não são auto-limpantes; decido se vou dormir em minha cama ou ser visita na casa de alguém, o que me faz incluir ou não uma nova roupinha para a manhã seguinte; consulto o tempo pra saber se o guarda-chuva me acompanha; penso se vou ter ensaio ou aula que precise de uma nova roupa; me pergunto se o notebook de 2,5Kg será necessário ao longo do dia; confiro chaves, contas, agenda, carteira, cartões e papéis necessários e escolho um lanchinho que vai matar a fome do meio da tarde. E nunca esqueço de pegar um livro pra me acompanhar nos momentos de ócio. Que quase nunca vão além do trajeto do ônibus... Claro que vou chegar atrasada de vez em quando... Acho ainda tempo pra passar meus 7.593 cremes de beleza; de cuidar de minha saúde bucal; ir no banheiro (porque agora meu ventre virou um lindo reloginho); de fazer um pouco de alongamento; abdominais nem que sejam só 30; de tomar um café digno e de beber pelo menos 3 copos d'água, porque senão o bicho pega! (E depois de ler aquele bendito texto que todo mundo conhece, não consigo não passar filtro solar todo santo dia...) Claro que eu vou sentir dor nas costas de vez em quando... Me esforço para, mesmo no auge do mau-humor e cansaço, não esquecer de desejar 'bom-dia', pedir 'por favor' e dizer 'obrigada' em cada uma das pequenas relações cotidianas (E isso inclui da minha mãe ao porteiro que chamo pelo nome); fico atenta pra não me impacientar demais com o ônibus que demora e descarregar tudo em cima do cobrador que não tem culpa de nada; faço amizade com a atendente da padaria que me pergunta porque sumi; com a moça da cantina, que me pede dicas de paquera; converso com o vizinho; e na dúvida do que fazer, eu sorrio... E isso às vezes isso me suga energia... Sei um pouco de nutrição pura e simplesmente para saber o que mando goela adentro; observo o prato do meu almoço e conto quantas vitaminas e minerais e calorias ingiro; sei de cabeça quando tenho que voltar ao dentista, ginecologista, gastroenterologista, oftamologista e fazer um novo check-up; presto atenção se estou mastigando direito e imaginando como meu corpo vai reagir àquele alimento (Feijão demais me dá bolinhas nas costas e meu corpo decidiu que não quer mais que eu beba leite, por exemplo). É claro que fico com a cabeça cheia... Me cuido pra não negligenciar meus estudos, achando uma horinha que seja pra treinar meu cérebro, seja lendo algum livro em francês, fazendo uma tradução de qualquer coisa me sacolejando no ônibus ou simplesmente me obrigando a finalizar o resumo que já deveria ter feito; tento ao máximo cumprir os prazos e reviso o que escrevo; sei as regras de acentuação, concordância e vírgulas decoradas; jogo limpo com minha orientadora e sou uma aluna que contribui mesmo com mais chata das aulas. E claro que dá tilt de vez em quando... Tenho cartão de crédito com limite polpudo, talão de cheques, cheque especial, poupança, conta de adiantamento do Governo (que tenho que ir fechar, por sinal...), gerencio meus projetos; sei quanto custa meu pacote de tarifas do banco; meu celular é de conta; tenho todas as minhas senhas de cabeça; olho a cotação do dólar uma vez por semana; tenho uma conta corrente no azul; umas poucas dívidas; noção de quanto gasto por mês; e ainda tenho tempo de me preocupar porque ainda não abri uma previdência privada para meu futuro... Claro que vou surtar de vez em quando... Criei um blog que pouca gente lê só pra falar de mim mesma sem culpa; estou no twitter, no orkut, no msn e no cacete todo e uso tudo; leio os amigos e comento os posts pra lembrar que estou por perto; dou parabéns nos aniversários; tenho um marcador AFETOS no gmail só pra não me deixar esquecer como isso é essencial; confiro os jornais diariamente, o horóscopo, o Diário Oficial estadual e nacional; tudo isso enquanto uso o gtalk pra tomar aulas de fotografia online com um amigo e de consolar uma amiga com um problema de auto-estima que esqueceu como é maravilhosa... Claro que vou ter sono de tarde... Cuido de meu pobre espírito, que já sabe que prefere bater tambor a cantar pra Jesus; tento ser bem-humorada e atenta ao outro ao máximo; por via das dúvidas me benzo antes de sair de casa e agradeço a todas as forças misteriosas por mais um dia novinho pra gastar; me esfolo pra ser bem-resolvida e respeitar o espaço do outro; acho que cada um é dono de sua vida; semeio o quanto posso de carinho e respeito entre os conhecidos e desconhecidos; saúdo Iemanjá absolutamente todos os dias, no primeiro momento que vejo o mar e aprendi com minha mãe a chamar meu anjo-da-guarda (a quem sempre digo 'obrigada', porque eu sei como lhe dou trabalho...). Claro que me sinto perdida vez ou outra... Leio sobre teatro, culinária, maquiagem, nutrição, moda, astrologia, economia, neurologia, direito cultural, religião, artes visuais, política com certa frequência, e posso falar um pouco sobre essas coisas; assisto teatro e dança até onde dá e adoro as exposições do que quer que seja; tenho a modesta meta de ler pelo menos 15 livros por ano (oba, já estou no 5º!) e mais tudo do Mestrado; luto contra o inglês há anos; falo um francês quase fluente e ainda achei espaço de enfiar um pouco de castellano em minha cabeça (ainda que nunca tenha sido uma aluna muito dedicada a nada disso)... Claro que vou me sentir ansiosa... Trabalho com afinco e sou uma profissional valorizada pelo que faço; aprendi produção na prática, começando com um manual de 15 páginas que uma amiga emprestou; sei a diferença clara entre apoio, patrocínio e convênio na visão do Poder Público; aprendi tudo que deu sobre legislação pra desempenhar um bom papel nos meses que fiquei no Estado; posso coordenar uma equipe ou ser apenas uma assessora eficiente; recebi mil elogios por fazer bem coisas de ordem legal, como pareceres, ou apenas burocráticos, como normatização de processos administrativos; consigo entender tanto a conversa do engravatado quanto do menino do interior; já fui vendedora de brigadeiros e fazia tudo com o mesmo prazer... Claro que me sinto pressionada alguns momentos... Penso em cada detalhe de minha roupa, que não apenas deve combinar com meu estado de espírito no dia, como dar conta de chegar ao final de minhas atividades do dia sem estar um bagaço, tem que valorizar meu corpo, esconder as feiúras e estar de acordo com meus sapatos e bolsas e bijuterias (não esqueça a tornozeleira, Bela!). Sem contar que na 4a feira Iansã tem de ser lembrada e na 6a feira não posso de forma alguma usar preto fechado, porque estou na Bahia e Oxalá não gosta... Claro que vou ficar estressada alguns dias... Já namorei mais pessoas do que meus dedos podem contar; fui bem casada com um homem fantástico; tive lindos companheiros mais velhos e pessoas mais novas ao meu lado; deixei amores em lugares por onde passei; tenho um histórico sexual que me faria rezar muitas ave-marias em um confessionário; fui gostada, já gostei e acho que vou me casar algumas vezes ainda; tenho amigos que são como irmãos e irmãos que são amigos; tenho amigos que me desejam por perto e me cuidam com amor; uma família divertida e adorável; faço amigos por onde passo e morro de saudades de pessoas recém-conhecidas; tenho ex-colegas que sentem saudades de minha presença... Claro que tem vezes que eu me machuco muito... (...) Ai, ai... Claro que vou despertar inveja de algumas pessoas; que muitos vão tentar me pôr à prova; que vão ter prazer de falar de mim; torcer contra; que vão tentar me expôr publicamente... Não tenho como explicar ao mundo que não quero ser melhor do que ninguém a não ser eu mesma; e isso já ocupa o que me sobra de tempo. E ponto! Mas essa não é a ode à Mulher-Maravilha que finjo ser. (Não finjo ser nada mesmo, me cansa, dá preguiça....) Isso sou eu tentando ser carinhosa comigo mesma. Como sei ser com os outros quando estão cegos de si mesmos. (Parênteses: Hoje acordei às 6 e meia da manhã e já estava atrasada(!) Senti tanta raiva de mim que tive que me segurar pra não me sentir incompetente e relapsa por completo. Precisei vir aqui, no meu Jardim, pra repetir publicamente que estou fazendo as coisas com amor e dedicação e que tenho alcançado, sim, bons resultados. Mesmo que de vez em quando eu jogue tudo pro alto pra domir até mais tarde, xingar o atendente de telemarketing, beber até cair ou ter um par de coxas encostadas nas minhas enquanto eu durmo. Porque não quero ser exemplo pra ninguém, porque isso dá trabalho demais....) E olha que tenho feito tudo isso enquanto travo uma luta silenciosa contra o espelho há anos, bato altos papos com meu amigo Tempo para ele entender meu ritmo (O Tempo é meu amigo, o Tempo é meu amigo...) e agendo pra editar umas 20 horas de material pra o meu primeiro video-dança (coisa que nem sei se sei mesmo fazer. rsrrsrs) É... Acho que nunca tinha contabilizado em palavras o meu amor pelo jeito que sou. (...) Percebo apenas que ainda tem muita coisa que eu nem comecei a fazer (aprender árabe, atuar em cinema e estudar Direito, por exemplo). A maior parte das pessoas vai achar apenas que eu "faço coisas demais". Mas assim como não se ensina alguém a querer, não sei se poderia me ensinar a des-querer algumas coisas. Não estou certa disso... (...) Talvez dia desses eu decida experimentar!
Escrito por A dona do jardim às 15h17
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Da série FURTOS VIRTUAIS: Um feminino de Lisavietra
Li o que se segue na casa virtual de minha amiga-irmã Vietra. Não pude deixar de me identificar. A ponto de desejar ter escrito isso! A ponto de pensar que mulheres como nós temos ainda muito lugar para conquistar no mundo. Mares de auto-conhecimento a serem desbravados e hordas de olhares pasmados a serem domesticados. Domados por nossa forma simples de ver as coisas. De sermos guiadas por uma tranquilidade de se desejar bem. De se saber dona, responsável e protetora de mim mesma. De tudo que diz respeito a si mesmo. De tudo que sou. De todas as pequenas filigranas de coisas que recolho nas calçadas por onde caminho e sobreponho a meu corpo; apenas pra reafirmar a cada passo que sou eu mesma a única pessoa capaz de decidir quem eu quero ser. Independente do que queiram pra mim. Indiferente ao que me atribuem. Conversando apenas com o lado de dentro. Ainda que sem deixar de se perder nos campos floridos para além das janelas de casa...
Eu sou uma mulher envolta num plástico bolha. Eu sou a moça de vidro. Eu quebro. Eu sou flor metamorfoseada em pedra. Todos pensam que sou pedra. Pedra de gelo. Pedra fria. Mas é mentira. Eu sou flor metamorfoseada em pedra fria, envolta num plástico bolha. E será assim para todo o sempre...! Enquanto eu achar que quebro. O tempo do meu medo será o tempo da minha defesa. O tempo do meu medo será o tempo da minha distância.
Mas eu já estou começando a descobrir que quando eu quebro eu continuo inteira. Então, já estou caminhando.
Depois, quando não houver mais o medo da ventania, eu serei uma mulher de pele nua.
E flor.
Que flor eu sou?
Escrito por A dona do jardim às 20h46
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Da série FILOSOFIA DE GTALK: Velocidade máxima
Ao notar que meu status virtual indicava meu retorno para casa, uma pequena-amiga pergunta como me sinto por estar de volta. Numa sinceridade imprevista, me defino como "estranhamente apavorada". Medo legítimo, diga-se de passagem, considerando que estamos em meados de abril de 2009 e mal somei 30 dias passados em minha própria casa. Sinto que meu ano começa agora. No sentido de que apenas a partir de 2a feira vou ganhar uma rotina de fato. E totalmente nova, por sinal. Trabalho novo, estudos novos, horários novos, lógica de uma 7a cidade diferente vivenciada desde o início do ano, novos amigos, novas perspectivas profissionais, novo tudo! Do jeito que eu gosto, mas de uma forma tão rápida e tão profunda que não posso deixar de suar frio um pouquinho. Lembro-me de eu e Olguita sentadas naquele sofá encardido em La Paternal, comendo pão-mateiga-queijo-vinho, estupefetas com a falta de animação porteña com o Revèillon, pensando que aquela tranquilidade na virada nada mais era do que a calmaria antes da tempestade. Desde o começo do (não mais tão) novo ano sabíamos que 2009 iria ser uma corrida de diligências louca e deliciosa. E eis que se realiza a profecia, pouco a pouco, dia a dia, de forma contínua e enlouquecedora. Continuando a conversa com a minha amiga - que também viu sua vida se reconfigurar por completo desde um dia tranquilo de junho no pátio da FACOM - lembro das milhões de coisas que vivi quando a única coisa que eu tinha em mente era desenvolver um projeto artístico na capital gaúcha. Amigos diferentes, amores novos, identidade reafirmada, outras realidades, parceiros incríveis de trabalho, decisões profissionais importantes, posicionamentos artísticos e mesmo espirituais vieram junto no kit As Mulheres de Magritte. Um verdadeiro projeto kinder-ovo, com mais sorte do que juízo de brinde, como bem disse uma linda companheira de trabalho em uma tarde em Maria Mulher. (...) A minha Flor hoje me visitou e repetiu pra mim que essa sou mesmo eu. Sempre me experimentando e testando ao longo de cada estrada que eu decido desbravar. Sou forte e corajosa, mesmo quando eu não me lembro disso, e fico tão feliz com essa auto-consciência que não sinto nem um pingo de vergonha de revelar isso publicamente num blog pessoal que pouca gente lê... Tenho me ouvido mais e sido mais carinhosa e compreensiva com minha loucura característica. Um verdadeiro presente de 26 anos. No final das contas, acho que é mesmo isso que realmente importa. E Beijo-Band!
Auto-citação: Temos que aproveitar as coisas plenamente. Porque elas passam mesmo, na velocidade que lhes apetece, sem se importarem se a gente está com medo demais pra prestar atenção nelas...
Escrito por A dona do jardim às 18h22
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Da série A MOÇA NO ESPELHO: Primavera 26
Hoje é meu aniversário. (...) E, quer saber? Eu não tenho mais medo disso....
Escrito por A dona do jardim às 12h02
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Da série RASCUNHOS POÉTICOS: Matrimônio
Acordei certa de algo: Quero casar-me com a Beleza. Não,não é uma moça de nome engraçadinho. É a esfera onde algumas coisas se revelam. Onde meus olhos têm paz. Não porque se embriagam do veneno do outro; mas porque páram de olhar pra dentro. A Beleza de ver pela fresta da porta e saber que dentro do vão vazio a Verdade dança rodopiante, sem medo de destruir o assoalho. Já não há chão embaixo dos pés, porque estamos suspensos pela certeza de que estamos seguindo pra frente. E temos a leveza de um piscar de olhos. Quanto isso pesa? Quero me casar com a Beleza. Com esta que trago laçada à minha cintura. A que extermina meus medos com um sorrriso doce de quem se sabe mais forte. (Gigante mirando o alto da cabeça no anão). Minha Beleza é imensa. E do alto de seus ombros posso me enxergar como nunca antes pude. (...) Por isso vou me casar com ela. Hoje mesmo. Porque amanhã talvez eu esqueça que já faz muito que decidi ser feliz do meu jeito...
Escrito por A dona do jardim às 08h24
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Da série RASCUNHOS POÉTICOS: Vapor d'água
Vim perdendo o azul e me percebi cinza. Nuvem que já choveu tudo e precisa respirar pra chorar de novo. Tomar fôlego recompondo os pedaços. Matéria esparsa que se reúne antes do do dia claro. Olhares dispersos que esqueceram seu pouso. Fingires discretos de quem quer o que não pode. Ou não deve. Saudades de chover. De trovoar. De ser ar. Plantar ventos para colher fins de tarde...
Escrito por A dona do jardim às 19h57
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Da série PEDAÇOS DE LETRAS DOS OUTROS: Japanese Girl
Rol de roupas Para divertir suas visitas, traga seu rol de roupas sujas do dia e explique a elas sobre cada uma. Como e quando ficaram sujas e por que , etc. Peça de guarda-roupa lll Mate os caras com quem você trepou. Bote os ossos numa caixa e mande pro mar com flores. Peça do espelho Em vez de um espelho, descole uma pessoa. Olhe-se. Use pessoas diferentes. Velhas, novas, gordas, pequenas, etc. Essa é pra passear Mexa seus miolos com um pênis até tudo ficar bem mexido. E vá passear. (do livro Grapefruit - A book of instructions - Primeira Edição) Tradução: Mônica Costa 
Escrito por A dona do jardim às 19h50
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Da série CONTATOS IMEDIATOS: Nesgas de leituras
Em dias à distância fico passeando por tempo maior do que o de costume por terrenos virtuais. Ao abrir minha caixa de e-mail esta manhã havia um aviso de que meu blog recebera novo comentário. Comentários aos meus escritos têm sido raros e cada vez mais espaçados, parte disso pela Folia Momesca que torna as ruas reais mais interessantes que qualquer passeio virtual; tanto também porque tenho postado coisas tão íntimas e autorais que não abrem espaço para a reflexão de outros alguéns. Pelo menos não escritas, creio eu. Mas minha carência, que vem andando a galope e uivando alto desde muito longe, me insiste em sugerir que trata-se apenas de uma forma dolorida de me ver esquecida. Isso me parece tão megalomaníaco que prefiro não dar ouvidos a ela... Pois bem. Mônica, amiga e letrista, deixou um convite para que eu entrasse em uma espécie de corrente. Diferente e divertida, diga-se de passagem. Eis a mensagem: A convite de minha querida amiga Raiça, entrei na ciranda e estendo o convite a sua pessoa, amiga querida. Trata-se da seguinte tarefa: Agarrar o livro mais próximo; Abrir na página 161; Procurar 5ª frase completa; Colocar a frase no blog; Repassar pra cinco pessoas. Espero que tope participar. bjs!
Lembrei do Clube de Leitura que eu e Jú Protásio tentamos levar a cabo mas nunca saiu do plano das idéias... Animada com qualquer novidade-jogo-brincadeira como boa ariana que sou, olhei em volta pra ver qual o livro mais próximo. Olhando sobre a mesinha de centro nada mais do que 3 (!) obras tão diversas quanto são diversos meus desejos, todas elas com seus devidos marcadores aguardando o próximo momento de leitura. Eram tão diferentes que achei divertido! Pensei sobre essa que sou. Julguei por bem expôr todas aqui; apenas pra lembrar como eu optei ser, muitas, com todas as nuances que me cabem por direito. Livro 1: Da Diáspora, uma reunião de 12 ensaios e 02 entrevistas do intelectual Stuart Hall, que traz questões de identidade e negritude que certamente serão muito caras à pesquisa que me trouxe até aqui: A reação contra ambas essas tendências ao reducionismo nas versões clássicas da teoria marxista da ideologia tem ocorrido há bastante tempo - na verdade, foram Marx e Engels que deram início a esse trabalho de revisão. Livro 2: Les vacances du petit Nicolas, da série Le petit Nicolas, de Sempé-Goscinny. Livrinhos curtos, destinados a crianças francesas lá pelos seus 08, 10 anos. Vício que levo na bolsa, companheiro de filas e viagens de ônibus, só para lembrar ao meu cérebro o quanto eu amo esse idioma. Quand je suis rentré à la maison, Papa m'a regardé et il m'a dit: "Alors, Nicolas, tu as retrouvé ta petite camarade?" Livro 3: Mulheres, de Eduardo Galeano. Indicação de Beth Finger, traz contos curtos sobre mulheres célebres e anônimas. Para alimentar meu trabalho por aqui: Lá da margem, o velho Cavalgante perseguia você, com seu binóculo, enquanto você fazia os redemoinhos cantarem : ao amanhecer, você girava na água seu remo de pá larga e uma música rouquenha brotava da espuma. Como toda boa corrente, não termina aqui. Os convidados são: Celso Jr. e seus Cadernos Grampeados; Delana; Nilsinho, Jú Protásio, Fabão e Lisa (a que respeita sempre muito o que lhe acontece...). Os links estão aí ao lado. Boa sorte!
Escrito por A dona do jardim às 09h26
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Da série RASCUNHOS POÉTICOS: Peito negro
Se havia um quarto escuro naquela cidade, ele se escondia dentro do peito de Anelise naquela tarde. Porque não existe solidão mais sólida do que a dos que se movem ao som de seus próprios passos. Perseguições internas ensurdeciam a moça. Que agora estava só, mas sabia bem que gente faz barulho, mesmo que não tenha ninguém por perto pra escutar... O caminho era se dedicar aos cuidados do entorno. Maciez de pele que se opõe à aspereza de espírito, cultivado com menos doçura do que à tez fina. Amores entre-dedos, entre-dentes, entre-meados de afazeres. Sentir, limpar, lavar, pentear. Atos contínuos de se saber com mil faces, como espelho bem colocado que reflete os cantos mais recônditos do humor daquela menina moça. 
Se havia um quarto escuro naquela cidade, ele se escondia dentro daquele peito. Mas, por vício ou fraqueza, tais olhos que piscavam atentos poderiam iluminar infinitas noites dali pra adiante. Porque tinham uma chama de vontade. E havia mil espelhos prontos pra refletir os desejos recém-inventados daquela alma que há muito optara por não mais suar por bobagens.
Escrito por A dona do jardim às 23h26
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Da série ACONTECIMENTOS MEMORÁVEIS: Achados e perdidos
Cheguei em casa do trabalho e percebi que minha alma tinha se extraviado pelo caminho. (...) Será que ela conseguirá me encontrar sozinha? E se eu estiver dormindo? E se eu não a escutar entrar e ela for morar em outro lar mais tranquilo? E se ela decidir vagar por aí, se bronzeando nas ruas da cidade cor-de-verão? Não saberia procurá-la. Tenho gastado tanto tempo em ouvir meus pés que tem sido difícil decifrar seu vocabulário delicado. Como então seguir apenas suas pegadas?... Poderia reconhecê-la pelo toque, mas se ela tiver dado de se esconder nas nuvens, estou certa de que nem mesmo na ponta dos dedos irei alcançá-la. (...) Assim, me preparo pra dormir em meu quarto agora vazio. Sem ela nada pode manter o sentido. Aulscuto o vazio daqui de dentro e me pergunto como pude ser tão relapsa. Me perder por inteiro em vales insólitos não soaria tão dolorido como o cair de uma alminha azulada, deixada pra trás sem sequer ser notada. (...) Repito pra mim mesma que há de se ter cuidado em dias de ventania; os espíritos leves voam como folhas que se amarelaram com a chegada do outono. Lembro que estamos no verão. (!) Espero que ela não sofra de insolações graves pelos quilomêtros caminhados sob a incandescente realidade de nossos tempos.
Escrito por A dona do jardim às 22h20
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Da série AQUELA QUE ME MIRA NO ESPELHO: Ritmos de Gaia
As minhas mudanças são como flores. Semente que se rompe muda, escondida sob o silêncio da terra, que se dói por inteiro e se desfaz para só então poder ser. Aparecendo de mansinho, ainda na dúvida latente, porque não é nada ainda. Indecisa haste que cresce, titubeando quanto a cor que deseja para lhe enfeitar a extremidade. Ouvidos e olhares e susurros e pouco mais do que isso. Cansaço de quem não sabe bem como se ajeitar no novo corpo. Mas então, eis que surpresa! Surge a flor, colorida mudança que se deu após o parto longo de idéias que brotam de um existir tão particular. Margarida de mil tons, que há pouco não havia, mas agora se assume sorridente na mais doce plenitude. (...)
Minhas mudanças são como flores. Meu corpo obedece aos ritmos da Natureza; depois do longo inverno, eis que sou de novo primavera. Meus sentires são como dias, que se sucedem em cânone, em fluxo que nunca termina, em terra que bebe do ar e se oferece pros pássaros. Eu sou feita da mesma matéria que as árvores, e me espalho no solo como as mangueiras que deixam entorno de si seus frutos. Sou composta de folhas, sementes e orvalho. E me renovo a cada nascer do Sol...
Escrito por A dona do jardim às 00h42
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