Da série EU: Meninice

Eu sou uma boba. Às vezes tento enganar as pessoas de que eu sou uma pessoa crescida e equilibrada. Mas apenas poucas vezes isso dá certo.
Dentro de alguns dias vou fazer 25 anos. 1/4 de século. Sempre me penso assim, em forma de uma fração, porque deste modo me integro ao fluxo do tempo. Eu, parte de 100 anos. Adoro essa idéia, mesmo que tenha terror de envelhecer. Sei que para a maioria parece uma bobagem que, "na flor da idade", eu tema o tempo. Mas eu o temo, e muito! Talvez pela forma que eu conte o tempo. Não o visualizo de forma progressiva mas sim regressiva. Cada dia que passa é mais um dia que esse rapaz chamado Tempo me leva embora. Forma burra de pensar, que só me causa angústia, mas da qual nunca consegui me livrar.
Sou uma menina. Prestes aos 25 anos, e mais menina do nunca. Porque me recuso a ser outra coisa. E isso não poderia ser mais imaturo para uma quase mulher...
Adoro tantas coisas de menina que só me fingindo de séria para que o mundo me respeite. Sei que, se eu fosse tão eu quanto eu gostaria, NINGUÉM, mas ninguém mesmo iria me dar um grama de confiança. Nadinha, mesmo, tenho certeza. Afinal, eu gosto de tanta coisa besta que se os outros soubessem só eu mesma seria capaz de me levar a sério. E, se levar a sério demais é a maior prova de meninice que qualquer pessoa pode dar.
Para que não restem dúvidas para quem me lê, eu listo abaixo as diversas coisas impublicáveis que figuram em meu hall de infantilidades. A lista abaixo nada mais é do que uma isca, para prender outras meninas-moças disfarçadas de mulheres crescidas, e que certamente vão se identificar com meus pequeninos tesouros secretos.
Sou uma menina quando:
- como um saco de jujuba sem dividir com ninguém;
- ganho um beijo na testa;
- peço colo;
- desejo um bicho-de-pelúcia novo;
- tenho ataque de riso por uma bobagem;
- paro de trabalhar para assistir desenho animado;
- mostro língua para as crianças na rua;
- assisto uma comédia romântica, daquelas que a mocinha fica com o mocinho no final, com direito a buquê de rosas e chuva de arroz;
- falo por horas a fio sobre mim mesma;
- me levo a sério demais;
- paro de estudar para assistir desenho animado;
- choro quando não ganho o que quero no meu aniversário;
- paro o que estiver fazendo para assistir Pingu;
- gasto mais do que posso;
- fico para baixo quando meu cabelo não me obedece;
- tenho medo de escuro;
- danço nua na frente do espelho;
- dublo as músicas da rádio usando o frasco de xampu como microfone;
- faço beicinho para ganhar o que desejo;
- tenho inveja do outro;
- quero passear agora!;
- quero comer agora!;
- quero o outro agora!;
- sempre que quero o que quer que seja AGORA!;
- invento desculpas esfarrapadas para fugir da responsabilidade;
- desenho flores durante reuniões de trabalho;
- me entupo de doces e fico mal da barriga;
- bebo como um junkie irlandês;
- faço minhas análises sócio-psicológicas de Baixa dos Sapateiros para amigos desavisados;
- acredito plenamente na profundidade de minhas análises sócio-psicológicas de Baixa dos Sapateiros;
- faço birra;
- xereto o orkut dos outros;
- fofoco da vida dos outros;
- jogo a culpa de alguma coisa nos outros;
- mudo de idéia e não aviso ninguém;
- tenho o olho maior que a barriga (isso sempre acontece, diga-se de passagem...);
- bato boca por besteira;
- sou competitiva só por diversão;
- sonho acordada por horas a fio;
- saio do sério com pirraças;
- tenho surtos de romantismo descabido;
- me envolvo com quem não vale um tostão furado;
- me envolvo de novo com quem não vale um tostão furado;
- abro a guarda para os inimigos;
- falo demais;
- me exponho demais;
- leio meu horóscopo antes de tomar uma decisão importante;
- me importo com a opinião do outro;
- segredo minha vida para o outro, para me arrepender logo em seguida.
Bem, isso aí é parte de mim. Do meu jeito mais menina, às vésperas dos meus 25 anos. Aparentemente séria, confiável, valente, boa profissional e tudo, mas no fundo uma adolescente que tem como principal preocupação no momento encontrar um vestido bonito que combine com meu estado de espírito no dia de meu aniversário.
E, ainda por cima, contando tudo isso para quem quiser ler o meu blog...
Escrito por A dona do jardim às 22h53
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Da série COTIDIANO: Visita
Hoje fui ao mar banhar a minha alma
Eu gosto de tomar banho com meu colar de contas
E já nem lembrava que o mar era tão salgado...
Escrito por A dona do jardim às 19h27
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Da série OS OUTROS: Segredo

Conversando com ele percebi como ele sentia medo. E cansaço. Falava dela agora no mesmo registro que falara do almoço. Sem cor. Pálido. Formigou em mim minha veia de afeto. Ele é especial mas não sabe. Preciso contar-lhe esse segredo... Ele não se sabia direito. Decidi apontar o que brilhava aos meus olhos.
Falei sobre conforto. Sobre o vício do conhecido. Asfixia de nós mesmos. O que restamos quando a gente vai embora da gente? Concordamos nesse ponto.
Lembrei que lá fora havia, é verdade, todo o vazio. Romper é suprimir o chão. Mesmo que para criar um outro em seguida. Não lhe menti que seria fácil. Mas fiz questão de lembrar que seria melhor. Para todos. Inclusive para mim, que sentia o peito doer de ver um alguém tão especial debandando de si. Dor que puxam palavras. As fazem transbordar. E eu sempre as permito...
Tempo. Minutos. Histórias. Dias. Mares e oceanos e tempestades vieram, passaram pelas palavras. Olhei para minha mão: uma borboleta talhada com carinho. Entreguei pra ele: Um presente, para lembrar você de que a transformação não é fácil. A lagarta tem um lar. Mora nele e lá se fez. Quando ganha asas, precisa romper com o conforto para se lançar. Para continuar sendo. É preciso abrir as asas. Aprender a usá-las. E virar borboleta. Ficar no casulo para sempre não significa mais o conforto. Significa o fim de tudo. A morte. Se precipitar ao céu é a única opção para seguir em frente. Temos que reconhecer o momento de nos abandonarmos no vazio de nós mesmos.
Ele é especial. Mas não se sabe assim. Eu precisava contar pra ele...
Escrito por A dona do jardim às 18h20
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Da série COOKIE: Por Olga Lamas
Você me sustenta
E eu (quase) me devolvo a ti...
COOKIE: Sala do Coro do TCA. Somente até amanhã, às 20h.
Escrito por A dona do jardim às 23h12
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Da série EU: Ser quem sou
Hoje me senti sozinha como há muito não me sentia.
Após breve conversa, voltei para minha toca.
Notei que pensava diferente de todos aqueles, de todas elas.
Mas o pensar diferente se tornava relevante, porque se tratava de minha vida.
Vida; coisa que a gente só dispõe uma vez.
Elas tão diferentes de mim... Me senti freak, solitária.
Andei beirando a estrada me sentindo desamparada, de verdade. Sem quem zelasse por mim.
Sem quem me aprovasse, mesmo que apenas com um meneio de cabeça.
Sem iguais no mundo, para me guiarem com suas escolhas.
Sem modelos para eu imitar. Algo assim.
Não há moldes para eu utilizar em meus passos, mesmo quando vacilantes.
Não sei onde aprendi isso. Só sei viver assim. Ao meu modo.
Mesmo que incerto. Mesmo que errante.
Mas isso ninguém me tira: é meu modo.
E é nessa dimensão que me tenho: onde me sei minha.
Escrito por A dona do jardim às 23h26
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Da série SONHOS: Vôo

Voar sempre foi um sonho.
Sempre tive em mim a esperança silenciosa de que um dia descobririam a técnica que aproximaria o homem do passarinho. Achava, de verdade, que o fato de não voarmos se resumia a uma falha nossa. Um tipo de desconhecimento da capacidade humana. Se Ícaro já não tivesse servido de exemplo para todos certamente eu teria me aventurado a desafiar a gravidade, demostrando que podíamos mais do que imaginávamos.
Criei então maneiras minhas de voar. Alçar vôos sobre as cidades, sobre outras terras, sobre as idéias, sobre meu próprio pensamento. Exercício de leveza, tão raro para pessoas que têm pensamentos que pesam sobre os ombros. Visto de cima, tudo parece mais simples. Até eu mesma perco complexidade e me torno mais fácil de ser decifrada.
Voar dentro de mim me parece um caminho possível para escapar de algumas coisas que estão sob meus pés. Coisas que enterrei e que ainda mantêm o solo quente embaixo de mim. Me entregar ao vazio se tornou muito mais importante agora. É preciso radiografar o terreno para imaginar o que é possível brotar dele, e observá-lo de cima o torna mais claro. Sobrevoar-me facilita certas escolhas. Me faz leve. Me faz nova. Me faz simples, como agora eu quero ser.
Escrito por A dona do jardim às 11h29
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Da série EU: Dói aqui
Tudo bem; eu sei que sou muuuuito dramática. Juro, eu sei. Mas desta vez, não é drama. Tá doendo muito. Tá doendo mais do que eu sabia que podia doer. Demais, sem fim, sem pausa... Por favor, amigos, tragam-me um ungüento para aplacar minhas angústias...
Escrito por A dona do jardim às 07h40
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Da série APRENDIZADOS: Amar
Dizer eu te amo
É se lançar num precipício,
que é o outro,
sem saber o quão fundo ele é.
Um diretor, certa feita, usou essa imagem para me explicar o que ele desejava de mim em cena. Nunca poderia ter compreendido tão bem o risco que é amar....
Escrito por A dona do jardim às 07h28
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Da série HOMENAGENS: Dia da Mulher
O post abaixo é minha homenagem especial às mulheres. Sem nenhuma palavra edificante, mas com uma honestidade que vicia qualquer mortal.
Escrito por A dona do jardim às 13h08
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Da série ÍDOLOS: Amy
Sempre amei as pessoas trash. As mulheres meio vagaba, então, me deslumbram de fato. Acho que porque, no fundo, sou muito certinha. Acho que é um pouco de inveja das pessoas que se lançam nas coisas, sem medir o tamanho do buraco que têm sob os pés. Normalmente, o buraco é muuuuuuuuuito mais fundo, e tais pessoas se fodem de-com-força. Bom para mim, que tenho chance de lembrar porque preciso cuidar de mim mesma.
Isso não me impede, obviamente, de babar nas loucuras alheias, que de forma catártica me satisfazem, como moça bem-comportada de Pituba que sou.
Minha nova paixão, pelos motivos acima e por outras coisitas mais, é Amy Winehouse. Tudo nela é massa, incluindo a sua capacidade sobre-humana de auto-destruição. Se foder é com ela mesmo! Mas sempre com o melhor penteado do pedaço e um bom-humor desconcertante.
Minha nova musa: http://www.amywinehouse.com/
Rehab (tradução)
Amy Winehouse
Tentaram me mandar pra reabilitação mas eu disse "não não não" Sim, eu tenho estado mal mas quando eu voltar vocês vão saber, saber, saber Eu não tenho tempo e se meu pai acha que estou bem Ele tentou me mandar pra reabilitação mas eu não vou, vou, vou
Prefiro ficar em casa com Ray Eu não tenho setenta dias Por que não há nada Não há nada que você possa me ensinar Que eu não possa aprender com Sr. Hathaway
Não aprendi muito na escola Mas sei que não aprenderei bebendo
Tentaram me mandar pra reabilitação mas eu disse "não não não" Sim, eu tenho estado mal mas quando eu voltar vocês vão saber, saber, saber Eu não tenho tempo e se meu pai acha que estou bem Ele tentou me mandar pra reabilitação mas eu não vou, vou, vou
Um homem me disse "por que você acha que está aqui?" Eu disse "não faço idéia Eu vou, vou perder meu amor Então eu sempre tenho uma garrafa por perto" Ele disse "acho que você só está deprimida, Me dê um beijo e vá descansar"
Tentaram me mandar pra reabilitação mas eu disse "não não não" Sim, eu tenho estado mal mas quando eu voltar vocês vão saber, saber, saber
Eu não quero beber nunca mais Eu só oh, só preciso de um amigo Não vou perder dez semanas Pra todo mundo pensar que que estou me recuperando
Não é só meu orgulho É só até essas lágrimas secarem
Tentaram me mandar pra reabilitação mas eu disse "não não não" Sim, eu tenho estado mal mas quando eu voltar vocês vão saber, saber, saber Eu não tenho tempo e se meu pai acha que estou bem Ele tentou me mandar pra reabilitação mas eu não vou, vou, vou
Escrito por A dona do jardim às 13h06
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Da série DES-ORDEM: As moças que partiram
Isabelas que habitavam em mim decidiram se mudar. Logo eu - que sempre fui tão preenchida de desejos tão diversos que só vindo de pessoas diversas poderiam fazer sentido - me vi sozinha no meu planeta.
Tenho me sentido só diante da imagem única que o espelho me apresenta pelas manhãs. Sempre fui caleidoscópica. Passei a ser linear.
Como eu disse no início, Isabelas que habitavam em mim se foram. Assim, de repente! Olha que eu sou observadora e tudo mais, mas nem notei quando as tais moças que partiram folheavam os cadernos de classificados em busca de uma nova morada. Saíram sorrateiras, pelas portas dos fundos, sem fazer ruído. Sem me dar chance de prendê-las em mim.
Hoje estou oca, sem pedaços internos que pareciam impossíveis de arrancar. Por esses dias, se eu estiver em um ônibus velho, daqueles que chacoalham bastante, quase dá para ouvir os pertences abandonados sem uso pelas Isabelas que se foram. Tudo sacode, tamanho é o espaço vazio que há no meu peito. Está tudo fora do lugar dentro de mim. Às vezes tenho cedido ao desejo de tentar arrumar as prateleiras. Inicio o serviço para logo em seguida permitir-me apenas contemplar a desordem.
As Isabelas se foram. Minha alma está em silêncio. Mas sei que isso vai durar pouco. Muito pouco...
Escrito por A dona do jardim às 21h12
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