Da série AQUELA QUE ME MIRA NO ESPELHO: Ritmos de Gaia
As minhas mudanças são como flores. Semente que se rompe muda, escondida sob o silêncio da terra, que se dói por inteiro e se desfaz para só então poder ser. Aparecendo de mansinho, ainda na dúvida latente, porque não é nada ainda. Indecisa haste que cresce, titubeando quanto a cor que deseja para lhe enfeitar a extremidade. Ouvidos e olhares e susurros e pouco mais do que isso. Cansaço de quem não sabe bem como se ajeitar no novo corpo. Mas então, eis que surpresa! Surge a flor, colorida mudança que se deu após o parto longo de idéias que brotam de um existir tão particular. Margarida de mil tons, que há pouco não havia, mas agora se assume sorridente na mais doce plenitude. (...)
Minhas mudanças são como flores. Meu corpo obedece aos ritmos da Natureza; depois do longo inverno, eis que sou de novo primavera. Meus sentires são como dias, que se sucedem em cânone, em fluxo que nunca termina, em terra que bebe do ar e se oferece pros pássaros. Eu sou feita da mesma matéria que as árvores, e me espalho no solo como as mangueiras que deixam entorno de si seus frutos. Sou composta de folhas, sementes e orvalho. E me renovo a cada nascer do Sol...
Escrito por A dona do jardim às 00h42
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Da sèrie CADERNOS DE VIAGEM: Nosso Sul querido - capìtulo Montevideo

Cidade do interior às margens do Rio da Prata / BUQUEBUS, documentàrios porteños e o videobook da marino-moça / Centopèias à solta / Popi, Clementine, Ana, Salomè e um màgico doutor em fìsica / ATP / Reconhecendo um novo amigo mesmo sem nunca tê-lo visto / Roça, palestras motivacionais e filoes de mercado tantos no baixo Sul / Pônei Pisador, regatton e mùsica brasileira da dècada de 80 / Teatro Solis / Santiago e Miguel / Staff composto de: 1 mulher bipolar, 1 brasileiro sonso e 1 mocinho cacheado e muito doce / Escoteiros brotando do chao / Conversa de portao com 5 idiomas diferentes + o idioma pròprio de Popy / Yo estoy enferma / Cuidados de uma amiga linda / Brasileira sem tecla SAP / Olhares, paixonites e saudades de longe/ Um 500 avos da capital uruguaia / Estrèia chique com atriz famosa / Presentes, imas e mais sapatos / Feira barata e comida boa / Previsoes astrologicas impressas na garagem de casa / Figurantes do Chaves / Aulas de samba para alunas des-ritmadas / Uma palavra + uma pantomima / Sy, sy, como no?!
Escrito por A dona do jardim às 23h00
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Da sèrie CADERNOS DE VIAGEM: Nosso Sul querido
Hola, tsi, tsi / Diàlogo louco que nao se entende / Mapa com buracos / Criaturas muchas como companheiras de casa / Todas las cucarachas de La Paternal como companheiras de casa / Fetiches de uniforme / Alfajor / Fetiches com bandeja / Alfajores / Fetiche com mùsica / Muchos alfajores màs / Mafalda, Evita e Gardel / Duchamp e nossa cara de p-a-s-s-a-d-as / Pelourinho na feria de lo barrio de La Boca / Uma nova amiga brasileira que tìnhamos mesmo que conhecer / Uma linda amiga paranaense com a mais linda das històrias de viagem / Quero-queroaida (ou pombaiada) do capeta / Mocinhos rabiscados e bar-woman chata / Wonka, Casa Lilàs e cafofo / Museu do Olho e perseguicoes cinematogràficas / Pracas perigosas, meninos e cutillos / Sinuca e risadas / Pao, massa e cerveja / Meninas quase cometendo delitos por uma justa causa / Amigos brasileiros e um filme de sonho / Sosias-black-power-bateristas-porteñas / Hasta luego, hasta pronto e muito atentado contra a lìngua espanhola / Vinho, vizinhos, chuvinhas e rojao / Olha o ônibus 130! / Sao Joao no Revèillon?! / La Loca! / Encontros de sonho / Màs alfajores, màs cerveja y mucho màs vino... / Fajitas / Bichinhos no suco / Ladroes nazista y el mapa de la inseguridad / 15 horas na fila do Buquebus / ¡No, eso no si inala! / Reagge que nao è reagge e jazz que è jaz / Onibus, trem e subte / A danca do cabocliño/ Uma palavra nova a cada dia / Tentativas de Tango / Teclado sem acento, sem til e sem cedilha / La Viruta e la media luna mais gostosa de TODA Buenos Aires / Cafè Havana e mais alfajores / Bife de chorizo na bocada da Boca / Foclore e danca com lencos / Osbourne Cox? / Dieta de acucar, carboidrato, gordura trans e cachaca / ¿ Y quièn mejor que Sabu para acompañar Ana nesta nueva fase que es la eternidad? / Sujeira, agua de torneira e camera no banheiro / Eu nao cresci na Barroquinha nem fui criada na 7 Portas / 24, o nosso nùmero / Banco bààààààrbaro / A despeito da aparência de 4h da tarde, jah sao 8 e meia da noite... / C-I-O + cio na linguagem de sinais / Feirinha de San Telmo, quinquilharias e sabonete de cannabis / Filme-videoclipe / Três filhos acocorada /
Escrito por A dona do jardim às 12h05
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Da sèrie ME AUTO-CITANDO: Porto e cais
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Eu poderia morar naqueles braços todos os meus dias daqui pra adiante
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(...)
Escrito por A dona do jardim às 01h39
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Da série COISAS QUE REALMENTE IMPORTAM: Dois mil e nove coisas divididas por trezentos e sessenta e cinco dias
Resoluções de Ano de novo
- Ser mais artista e menos moça da arte dos outros;
- Cantar mais e chover menos;
- Aproveitar mais a proximidade com o mar;
- Viajar tanto pra fora quanto pra dentro;
- Cultivar meus afetos;
- Morar em minha casa;
- Cuidar de meus quereres;
- Cuidar mais de minha mente;
- Cuidar muito mais de meu corpo;
- Olhar para frente;
- Engordar meu porquinho;
- Me deixar gostar por quem assim queira;
- Desfazer alguns feitos e refazer uns tantos outros desfeitos;
- Traçar pelo menos 1 linha reta; mesmo que seja para emendá-la depois...
Segredinhos meus, compartilhados com os poucos passeantes que param por aqui. Porque há muito mistério entre o céu e o mar, e nao haveria de ser diferente quando o mundo em questao è o que trago aqui dentro.
Escrito por A dona do jardim às 14h46
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Da sèrie PALAVRAS AO VENTO: Nuvem, flora e poeira
Tenho flores nos olhos. Elas um dia foram sementes, que incomodavam por serem duras demais. Minhas dúvidas regaram esses pequenos prenúncios de margaridas, que se desfizeram antes mesmo de ser alguma outra coisa. Coisas que não são coisas. Flores que não são flores. Dores que são dores mesmo, mas de tão furta-cor eu termino por me confundir onde elas preferem doer de concreto.
(...)
O meu pôr-do-sol trouxe um chuva colorida que fez o meu cabelo mudar de tom. Almas de menina que explodem como o casal apaixonado do filme que não deixa a gente lembrar que a vida gosta mesmo de nos pregar peças. Eu andei pra frente, e a nuvenzinha sobre minha cabeça parou de me seguir. Entrei por debaixo de um canteiro de lìrios, que choravam palavras doces que me travaram a garganta. Às vezes temos que sorver coisinhas amargas, nos valendo da regra antiga que diz que somente o desgosto serve pra curar feridas.
Prefiro mirar minhas maos e me perder nos caminhos das linhas que jà vieram prontas. Tenho mapas em minha cabeça e tronco e membros e cantos, mas quando quero chegar no outro preciso pedir informaçoes pelo caminho. Queria alcançar o outro lado da ponte, mas me perdi em placas de sinalizaçcao fantasiosas que mentiam sobre seu real destino.
Não tem problema; espirais são por demais hipnòticas para alguèm ter medo delas. Rodo pela estrada de flora exuberante e me espanto com minha imagem refletida nas poças. Sou feita de àgua e lama, e não hà mais dùvida de que o vento pode me moldar mesmo com seu sopro mais leve. Temer o que se traz por dentro è bobagem de menina que jà deixei no lugar longe onde troquei meu vestido negro por uma cobertura de crisântemos.
(...)
- Jà disse alguma vez que crisântemo prenuncia um amor?
- Acho que pelo menos uma dezena de vezes, responderia eu se estivesse aqui.
È... Eu sei que me repito. Centenas de translações por minuto. Mas não importa: gosto mesmo da repetição infinita que acomete os donos das històrias bem-contadas.
Escrito por A dona do jardim às 14h26
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