Da série CONTATOS IMEDIATOS: Nesgas de leituras
Em dias à distância fico passeando por tempo maior do que o de costume por terrenos virtuais. Ao abrir minha caixa de e-mail esta manhã havia um aviso de que meu blog recebera novo comentário. Comentários aos meus escritos têm sido raros e cada vez mais espaçados, parte disso pela Folia Momesca que torna as ruas reais mais interessantes que qualquer passeio virtual; tanto também porque tenho postado coisas tão íntimas e autorais que não abrem espaço para a reflexão de outros alguéns. Pelo menos não escritas, creio eu. Mas minha carência, que vem andando a galope e uivando alto desde muito longe, me insiste em sugerir que trata-se apenas de uma forma dolorida de me ver esquecida. Isso me parece tão megalomaníaco que prefiro não dar ouvidos a ela... Pois bem. Mônica, amiga e letrista, deixou um convite para que eu entrasse em uma espécie de corrente. Diferente e divertida, diga-se de passagem. Eis a mensagem: A convite de minha querida amiga Raiça, entrei na ciranda e estendo o convite a sua pessoa, amiga querida. Trata-se da seguinte tarefa: Agarrar o livro mais próximo; Abrir na página 161; Procurar 5ª frase completa; Colocar a frase no blog; Repassar pra cinco pessoas. Espero que tope participar. bjs!
Lembrei do Clube de Leitura que eu e Jú Protásio tentamos levar a cabo mas nunca saiu do plano das idéias... Animada com qualquer novidade-jogo-brincadeira como boa ariana que sou, olhei em volta pra ver qual o livro mais próximo. Olhando sobre a mesinha de centro nada mais do que 3 (!) obras tão diversas quanto são diversos meus desejos, todas elas com seus devidos marcadores aguardando o próximo momento de leitura. Eram tão diferentes que achei divertido! Pensei sobre essa que sou. Julguei por bem expôr todas aqui; apenas pra lembrar como eu optei ser, muitas, com todas as nuances que me cabem por direito. Livro 1: Da Diáspora, uma reunião de 12 ensaios e 02 entrevistas do intelectual Stuart Hall, que traz questões de identidade e negritude que certamente serão muito caras à pesquisa que me trouxe até aqui: A reação contra ambas essas tendências ao reducionismo nas versões clássicas da teoria marxista da ideologia tem ocorrido há bastante tempo - na verdade, foram Marx e Engels que deram início a esse trabalho de revisão. Livro 2: Les vacances du petit Nicolas, da série Le petit Nicolas, de Sempé-Goscinny. Livrinhos curtos, destinados a crianças francesas lá pelos seus 08, 10 anos. Vício que levo na bolsa, companheiro de filas e viagens de ônibus, só para lembrar ao meu cérebro o quanto eu amo esse idioma. Quand je suis rentré à la maison, Papa m'a regardé et il m'a dit: "Alors, Nicolas, tu as retrouvé ta petite camarade?" Livro 3: Mulheres, de Eduardo Galeano. Indicação de Beth Finger, traz contos curtos sobre mulheres célebres e anônimas. Para alimentar meu trabalho por aqui: Lá da margem, o velho Cavalgante perseguia você, com seu binóculo, enquanto você fazia os redemoinhos cantarem : ao amanhecer, você girava na água seu remo de pá larga e uma música rouquenha brotava da espuma. Como toda boa corrente, não termina aqui. Os convidados são: Celso Jr. e seus Cadernos Grampeados; Delana; Nilsinho, Jú Protásio, Fabão e Lisa (a que respeita sempre muito o que lhe acontece...). Os links estão aí ao lado. Boa sorte!
Escrito por A dona do jardim às 09h26
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Da série RASCUNHOS POÉTICOS: Peito negro
Se havia um quarto escuro naquela cidade, ele se escondia dentro do peito de Anelise naquela tarde. Porque não existe solidão mais sólida do que a dos que se movem ao som de seus próprios passos. Perseguições internas ensurdeciam a moça. Que agora estava só, mas sabia bem que gente faz barulho, mesmo que não tenha ninguém por perto pra escutar... O caminho era se dedicar aos cuidados do entorno. Maciez de pele que se opõe à aspereza de espírito, cultivado com menos doçura do que à tez fina. Amores entre-dedos, entre-dentes, entre-meados de afazeres. Sentir, limpar, lavar, pentear. Atos contínuos de se saber com mil faces, como espelho bem colocado que reflete os cantos mais recônditos do humor daquela menina moça. 
Se havia um quarto escuro naquela cidade, ele se escondia dentro daquele peito. Mas, por vício ou fraqueza, tais olhos que piscavam atentos poderiam iluminar infinitas noites dali pra adiante. Porque tinham uma chama de vontade. E havia mil espelhos prontos pra refletir os desejos recém-inventados daquela alma que há muito optara por não mais suar por bobagens.
Escrito por A dona do jardim às 23h26
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Da série ACONTECIMENTOS MEMORÁVEIS: Achados e perdidos
Cheguei em casa do trabalho e percebi que minha alma tinha se extraviado pelo caminho. (...) Será que ela conseguirá me encontrar sozinha? E se eu estiver dormindo? E se eu não a escutar entrar e ela for morar em outro lar mais tranquilo? E se ela decidir vagar por aí, se bronzeando nas ruas da cidade cor-de-verão? Não saberia procurá-la. Tenho gastado tanto tempo em ouvir meus pés que tem sido difícil decifrar seu vocabulário delicado. Como então seguir apenas suas pegadas?... Poderia reconhecê-la pelo toque, mas se ela tiver dado de se esconder nas nuvens, estou certa de que nem mesmo na ponta dos dedos irei alcançá-la. (...) Assim, me preparo pra dormir em meu quarto agora vazio. Sem ela nada pode manter o sentido. Aulscuto o vazio daqui de dentro e me pergunto como pude ser tão relapsa. Me perder por inteiro em vales insólitos não soaria tão dolorido como o cair de uma alminha azulada, deixada pra trás sem sequer ser notada. (...) Repito pra mim mesma que há de se ter cuidado em dias de ventania; os espíritos leves voam como folhas que se amarelaram com a chegada do outono. Lembro que estamos no verão. (!) Espero que ela não sofra de insolações graves pelos quilomêtros caminhados sob a incandescente realidade de nossos tempos.
Escrito por A dona do jardim às 22h20
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