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BRASIL, Nordeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, French, Arte e cultura, Viagens, Devaneios



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    Da série RASCUNHOS POÉTICOS: A arte de receber visitas

    Sou uma amante das experiências. Do me lançar, me provar, me expor, me engajar. Aguardar as estradas se apresentarem para mim e me convidarem a segui-las. Eu as sigo quase sempre. Minha maneira primeira de trilhar caminhos imprevistos é aceitar desbravar o outro. O Universo do outro. A loucura do outro.

    (Alteridade como exercício apaixonado de viver perigosamente).

    Um olhar mais profundo já me soa como passaporte para um mundo novo que se esconde do lado de dentro. Gosto de mergulhar no outro. (Nunca prendo o fôlego). Me deixo afogar. Me deixo ser mergulhada, desbravada, revirada e pesquisada pelo outro também. Não me importa a bagunça que os visitantes deixam ao sair: livros e pensamentos jogados no chão da sala e marcas de mãos pelas paredes do corredor. Não ligo pra essa desarrumação passageira, que é sempre muito bem-vinda. Ela quase sempre me revela tesouros que estavam esquecidos no fundo das gavetas. Que são reavivados pela curiosidade de mãos estranhas. Minha paixão pelos visitantes permite mesmo que eles levem lembranças de sua estada em meu peito. Em meu corpo.

    Relatos e segredos e afetos e receitas ou apenas conchinhas delicadas estão ao alcance das mãos dos que assim desejarem.

    (...)

    Pode me levar... Fica melhor em você... É um jeito de me saber por perto... Eu tenho outro igual... Não precisa devolver...

    A experiência de te ter aqui dentro é a melhor paga a qualquer item que você deseje carregar de mim.

    (...)


    Trecho do texto que me motivou a escrever sobre isso: (...) Vamos agora ao sujeito da experiência. Esse sujeito que não é o sujeito da informação, da opinião, do trabalho, que não é o sujeito do saber, do julgar, do fazer, do poder, do querer. Se escutamos em espanhol, nessa língua em que a experiência é “o que nos passa”, o sujeito da experiência seria algo como um território de passagem, algo como uma superfície sensível que aquilo que acontece afeta de algum modo, produz alguns afetos, inscreve algumas marcas, deixa alguns  vestígios, alguns efeitos. Se escutamos em francês, em que a experiência é “ce que nous arrive”, o sujeito da experiência é um ponto de chegada, um lugar a que chegam as coisas, como um lugar que recebe o que chega e que, ao receber, lhe dá lugar. E em português, em italiano e em inglês, em que a experiência soa como “aquilo que nos acontece, nos sucede”, ou “happen to us”, o sujeito da experiência é sobretudo um espaço onde têm lugar os  contecimentos.(...)

    Em qualquer caso, seja como território de passagem, seja como lugar de chegada ou como espaço do acontecer, o sujeito da experiência se define não por sua atividade, mas por sua  passividade, por sua receptividade,  por sua disponibilidade, por sua abertura. Trata-se, porém, de uma passividade anterior à oposição entre ativo e passivo, de uma passividade feita de paixão, de padecimento, de paciência, de atenção, como uma receptividade primeira, como uma disponibilidade fundamental, como uma abertura essencial. O sujeito da experiência é um sujeito “ex-posto”. Do ponto de vista da experiência, o importante não é nem a posição (nossa maneira de pormos), nem a “o-posição” (nossa maneira de opormos), nem a “imposição”  (nossa maneira de impormos), nem a “proposição” (nossa maneira de propormos), mas a “exposição”, nossa maneira de “ex-pormos”, com tudo o que isso tem de vulnerabilidade e de risco. Por isso é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se “ex-põe”. É incapaz de experiência aquele a quem nada lhe passa, a quem nada lhe acontece, a quem nada lhe sucede, a quem nada o toca, nada lhe chega, nada o afeta, a quem nada o ameaça, a quem nada ocorre.

    Do texto Notas sobre a experiência e o saber de experiência*, de Jorge Larrosa Bondía



    Escrito por A dona do jardim às 14h02
    [] []



    Da série A MULHER NO ESPELHO: Tudojuntoaomesmotempoagora

    É claro que eu vou me sentir cansada de vez em quando...

    Faço Mestrado, trabalho, estudo todos os dias nem que seja um pouco, presto atenção no que coloco no meu prato, faço exercícios quase que diariamente, mantenho minha conta bancária em dia, cuido de minha alma e tenho uma vida social recheada.

    (Alerta! Este post versa única e exclusivamente sobre minha pessoa. Se não tiver expresso interesse neste tema, clique aqui e vá pensar na vida...)

    É óbvio que o meu tempo é apertado...

    Toda manhã eu já saio com a agenda do dia definida, e isso significa que tenho que prever se vou ou não àquela estréia da peça do amigo, pra pegar um casaco e não sentir frio no teatro à noite; confiro sempre se a bateria do celular é suficiente pro dia, senão significa levar o carregador; lembro que vou precisar retocar a maquiagem em algum momento e que meus dentes não são auto-limpantes; decido se vou dormir em minha cama ou ser visita na casa de alguém, o que me faz incluir ou não uma nova roupinha para a manhã seguinte; consulto o tempo pra saber se o guarda-chuva me acompanha; penso se vou ter ensaio ou aula que precise de uma nova roupa; me pergunto se o notebook de 2,5Kg será necessário ao longo do dia; confiro chaves, contas, agenda, carteira, cartões e papéis necessários e escolho um lanchinho que vai matar a fome do meio da tarde. E nunca esqueço de pegar um livro pra me acompanhar nos momentos de ócio. Que quase nunca vão além do trajeto do ônibus...

    Claro que vou chegar atrasada de vez em quando...

    Acho ainda tempo pra passar meus 7.593 cremes de beleza; de cuidar de minha saúde bucal; ir no banheiro (porque agora meu ventre virou um lindo reloginho); de fazer um pouco de alongamento; abdominais nem que sejam só 30; de tomar um café digno e de beber pelo menos 3 copos d'água, porque senão o bicho pega!  (E depois de ler aquele bendito texto que todo mundo conhece, não consigo não passar filtro solar todo santo dia...)

    Claro que eu vou sentir dor nas costas de vez em quando...

    Me esforço para, mesmo no auge do mau-humor e cansaço, não esquecer de desejar 'bom-dia', pedir 'por favor' e dizer 'obrigada' em cada uma das pequenas relações cotidianas (E isso inclui da minha mãe ao porteiro que chamo pelo nome); fico atenta pra não me impacientar demais com o ônibus que demora e descarregar tudo em cima do cobrador que não tem culpa de nada; faço amizade com a atendente da padaria que me pergunta porque sumi; com a moça da cantina, que me pede dicas de paquera; converso com o vizinho; e na dúvida do que fazer, eu sorrio...

    E isso às vezes isso me suga energia...

    Sei um pouco de nutrição pura e simplesmente para saber o que mando goela adentro; observo o prato do meu almoço e conto quantas vitaminas e minerais e calorias ingiro; sei de cabeça quando tenho que voltar ao dentista, ginecologista, gastroenterologista, oftamologista e fazer um novo check-up; presto atenção se estou mastigando direito e imaginando como meu corpo vai reagir àquele alimento (Feijão demais me dá bolinhas nas costas e meu corpo decidiu que não quer mais que eu beba leite, por exemplo).

    É claro que fico com a cabeça cheia...

    Me cuido pra não negligenciar meus estudos, achando uma horinha que seja pra treinar meu cérebro, seja lendo algum livro em francês, fazendo uma tradução de qualquer coisa me sacolejando no ônibus ou simplesmente me obrigando a finalizar o resumo que já deveria ter feito; tento ao máximo cumprir os prazos e reviso o que escrevo; sei as regras de acentuação, concordância e vírgulas decoradas; jogo limpo com minha orientadora e sou uma aluna que contribui mesmo com mais chata das aulas.

    E claro que dá tilt de vez em quando...

    Tenho cartão de crédito com limite polpudo, talão de cheques, cheque especial, poupança, conta de adiantamento do Governo (que tenho que ir fechar, por sinal...), gerencio meus projetos; sei quanto custa meu pacote de tarifas do banco; meu celular é de conta; tenho todas as minhas senhas de cabeça; olho a cotação do dólar uma vez por semana; tenho uma conta corrente no azul; umas poucas dívidas; noção de quanto gasto por mês; e ainda tenho tempo de me preocupar porque ainda não abri uma previdência privada para meu futuro...

    Claro que vou surtar de vez em quando...

    Criei um blog que pouca gente lê só pra falar de mim mesma sem culpa; estou no twitter, no orkut, no msn e no cacete todo e uso tudo; leio os amigos e comento os posts pra lembrar que estou por perto; dou parabéns nos aniversários; tenho um marcador AFETOS no gmail só pra não me deixar esquecer como isso é essencial; confiro os jornais diariamente, o horóscopo, o Diário Oficial estadual e nacional; tudo isso enquanto uso o gtalk pra tomar aulas de fotografia online com um amigo e de consolar uma amiga com um problema de auto-estima que esqueceu como é maravilhosa...

    Claro que vou ter sono de tarde...

    Cuido de meu pobre espírito, que já sabe que prefere bater tambor a cantar pra Jesus; tento ser bem-humorada e atenta ao outro ao máximo; por via das dúvidas me benzo antes de sair de casa e agradeço a todas as forças misteriosas por mais um dia novinho pra gastar; me esfolo pra ser bem-resolvida e respeitar o espaço do outro; acho que cada um é dono de sua vida; semeio o quanto posso de carinho e respeito entre os conhecidos e desconhecidos; saúdo Iemanjá absolutamente todos os dias, no primeiro momento que vejo o mar e aprendi com minha mãe a chamar meu anjo-da-guarda (a quem sempre digo 'obrigada', porque eu sei como lhe dou trabalho...).

    Claro que me sinto perdida vez ou outra...

    Leio sobre teatro, culinária, maquiagem, nutrição, moda, astrologia, economia, neurologia, direito cultural, religião, artes visuais, política com certa frequência, e posso falar um pouco sobre essas coisas; assisto teatro e dança até onde dá e adoro as exposições do que quer que seja; tenho a modesta meta de ler pelo menos 15 livros por ano (oba, já estou no 5º!) e mais tudo do Mestrado; luto contra o inglês há anos; falo um francês quase fluente e ainda achei espaço de enfiar um pouco de castellano em minha cabeça (ainda que nunca tenha sido uma aluna muito dedicada a nada disso)...

    Claro que vou me sentir ansiosa...

    Trabalho com afinco e sou uma profissional valorizada pelo que faço; aprendi produção na prática, começando com um manual de 15 páginas que uma amiga emprestou; sei a diferença clara entre apoio, patrocínio e convênio na visão do Poder Público; aprendi tudo que deu sobre legislação pra desempenhar um bom papel nos meses que fiquei no Estado; posso coordenar uma equipe ou ser apenas uma assessora eficiente; recebi mil elogios por fazer bem coisas de ordem legal, como pareceres, ou apenas burocráticos, como normatização de processos administrativos; consigo entender tanto a conversa do engravatado quanto do menino do interior; já fui vendedora de brigadeiros e fazia tudo com o mesmo prazer...

    Claro que me sinto pressionada alguns momentos...

    Penso em cada detalhe de minha roupa, que não apenas deve combinar com meu estado de espírito no dia, como dar conta de chegar ao final de minhas atividades do dia sem estar um bagaço, tem que valorizar meu corpo, esconder as feiúras e estar de acordo com meus sapatos e bolsas e bijuterias (não esqueça a tornozeleira, Bela!). Sem contar que na 4a feira Iansã tem de ser lembrada e na 6a feira não posso de forma alguma usar preto fechado, porque estou na Bahia e Oxalá não gosta...

    Claro que vou ficar estressada alguns dias...

    Já namorei mais pessoas do que meus dedos podem contar; fui bem casada com um homem fantástico; tive lindos companheiros mais velhos e pessoas mais novas ao meu lado; deixei amores em lugares por onde passei; tenho um histórico sexual que me faria rezar muitas ave-marias em um confessionário; fui gostada, já gostei e acho que vou me casar algumas vezes ainda; tenho amigos que são como irmãos e irmãos que são amigos; tenho amigos que me desejam por perto e me cuidam com amor; uma família divertida e adorável; faço amigos por onde passo e morro de saudades de pessoas recém-conhecidas; tenho ex-colegas que sentem saudades de minha presença...

    Claro que tem vezes que eu me machuco muito...

    (...)

    Ai, ai... Claro que vou despertar inveja de algumas pessoas; que muitos vão tentar me pôr à prova; que vão ter prazer de falar de mim; torcer contra; que vão tentar me expôr publicamente... Não tenho como explicar ao mundo que não quero ser melhor do que ninguém a não ser eu mesma; e isso já ocupa o que me sobra de tempo. E ponto!

    Mas essa não é a ode à Mulher-Maravilha que finjo ser. (Não finjo ser nada mesmo, me cansa, dá preguiça....) Isso sou eu tentando ser carinhosa comigo mesma. Como sei ser com os outros quando estão cegos de si mesmos.

    (Parênteses: Hoje acordei às 6 e meia da manhã e já estava atrasada(!) Senti tanta raiva de mim que tive que me segurar pra não me sentir incompetente e relapsa por completo. Precisei vir aqui, no meu Jardim, pra repetir publicamente que estou fazendo as coisas com amor e dedicação e que tenho alcançado, sim, bons resultados. Mesmo que de vez em quando eu jogue tudo pro alto pra domir até mais tarde, xingar o atendente de telemarketing, beber até cair ou ter um par de coxas encostadas nas minhas enquanto eu durmo. Porque não quero ser exemplo pra ninguém, porque isso dá trabalho demais....)

    E olha que tenho feito tudo isso enquanto travo uma luta silenciosa contra o espelho há anos, bato altos papos com meu amigo Tempo para ele entender meu ritmo (O Tempo é meu amigo, o Tempo é meu amigo...) e agendo pra editar umas 20 horas de material pra o meu primeiro video-dança (coisa que nem sei se sei mesmo fazer. rsrrsrs)

    É... Acho que nunca tinha contabilizado em palavras o meu amor pelo jeito que sou. (...) Percebo apenas que ainda tem muita coisa que eu nem comecei a fazer (aprender árabe, atuar em cinema e estudar Direito, por exemplo). A maior parte das pessoas vai achar apenas que eu "faço coisas demais". Mas assim como não se ensina alguém a querer, não sei se poderia me ensinar a des-querer algumas coisas. Não estou certa disso...

    (...)

    Talvez dia desses eu decida experimentar!



    Escrito por A dona do jardim às 15h17
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    Da série FURTOS VIRTUAIS: Um feminino de Lisavietra

    Li o que se segue na casa virtual de minha amiga-irmã Vietra. Não pude deixar de me identificar. A ponto de desejar ter escrito isso! A ponto de pensar que mulheres como nós temos ainda muito lugar para conquistar no mundo. Mares de auto-conhecimento a serem desbravados e hordas de olhares pasmados a serem domesticados. Domados por nossa forma simples de ver as coisas. De sermos guiadas por uma tranquilidade de se desejar bem. De se saber dona, responsável e protetora de mim mesma. De tudo que diz respeito a si mesmo. De tudo que sou. De todas as pequenas filigranas de coisas que recolho nas calçadas por onde caminho e sobreponho a meu corpo; apenas pra reafirmar a cada passo que sou eu mesma a única pessoa capaz de decidir quem eu quero ser. Independente do que queiram pra mim. Indiferente ao que me atribuem. Conversando apenas com o lado de dentro. Ainda que sem deixar de se perder nos campos floridos para além das janelas de casa...


    Eu sou uma mulher envolta num plástico bolha.
    Eu sou a moça de vidro.
    Eu quebro.
    Eu sou flor metamorfoseada em pedra.
    Todos pensam que sou pedra. Pedra de gelo. Pedra fria. Mas é mentira. Eu sou flor metamorfoseada em pedra fria, envolta num plástico bolha. E será assim para todo o sempre...!
    Enquanto eu achar que quebro.
    O tempo do meu medo será o tempo da minha defesa.
    O tempo do meu medo será o tempo da minha distância.



    Mas eu já estou começando a descobrir que quando eu quebro eu continuo inteira.
    Então, já estou caminhando.



    Depois, quando não houver mais o medo da ventania, eu serei uma mulher de pele nua.

    E flor.




    Que flor eu sou?



    Escrito por A dona do jardim às 20h46
    [] []



    Da série FILOSOFIA DE GTALK: Velocidade máxima

    Ao notar que meu status virtual indicava meu retorno para casa, uma pequena-amiga pergunta como me sinto por estar de volta. Numa sinceridade imprevista, me defino como "estranhamente apavorada". Medo legítimo, diga-se de passagem, considerando que estamos em meados de abril de 2009 e mal somei 30 dias passados em minha própria casa.

    Sinto que meu ano começa agora. No sentido de que apenas a partir de 2a feira vou ganhar uma rotina de fato. E totalmente nova, por sinal. Trabalho novo, estudos novos, horários novos, lógica de uma 7a cidade diferente vivenciada desde o início do ano, novos amigos, novas perspectivas profissionais, novo tudo! Do jeito que eu gosto, mas de uma forma tão rápida e tão profunda que não posso deixar de suar frio um pouquinho.

    Lembro-me de eu e Olguita sentadas naquele sofá encardido em La Paternal, comendo pão-mateiga-queijo-vinho, estupefetas com a falta de animação porteña com o Revèillon, pensando que aquela tranquilidade na virada nada mais era do que a calmaria antes da tempestade. Desde o começo do (não mais tão) novo ano sabíamos que 2009 iria ser uma corrida de diligências louca e deliciosa. E eis que se realiza a profecia, pouco a pouco, dia a dia, de forma contínua e enlouquecedora.

    Continuando a conversa com a minha amiga - que também viu sua vida se reconfigurar por completo desde um dia tranquilo de junho no pátio da FACOM - lembro das milhões de coisas que vivi quando a única coisa que eu tinha em mente era desenvolver um projeto artístico na capital gaúcha. Amigos diferentes, amores novos, identidade reafirmada, outras realidades, parceiros incríveis de trabalho, decisões profissionais importantes, posicionamentos artísticos e mesmo espirituais vieram junto no kit As Mulheres de Magritte.  Um verdadeiro projeto kinder-ovo, com mais sorte do que juízo de brinde, como bem disse uma linda companheira de trabalho em uma tarde em Maria Mulher.

    (...)

    A minha Flor hoje me visitou e repetiu pra mim que essa sou mesmo eu. Sempre me experimentando e testando ao longo de cada estrada que eu decido desbravar. Sou forte e corajosa, mesmo quando eu não me lembro disso, e fico tão feliz com essa auto-consciência que não sinto nem um pingo de vergonha de revelar isso publicamente num blog pessoal que pouca gente lê...

    Tenho me ouvido mais e sido mais carinhosa e compreensiva com minha loucura característica. Um verdadeiro presente de 26 anos.

    No final das contas, acho que é mesmo isso que realmente importa. E Beijo-Band!


    Auto-citação: Temos que aproveitar as coisas plenamente. Porque elas passam mesmo, na velocidade que lhes apetece, sem se importarem se a gente está com medo demais pra prestar atenção nelas... 



    Escrito por A dona do jardim às 18h22
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    Da série A MOÇA NO ESPELHO: Primavera 26

    Hoje é meu aniversário.

    (...)

    E, quer saber? Eu não tenho mais medo disso....



    Escrito por A dona do jardim às 12h02
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    Da série RASCUNHOS POÉTICOS: Matrimônio

    Acordei certa de algo:

    Quero casar-me com a Beleza.

    Não,não é uma moça de nome engraçadinho. É a esfera onde algumas coisas se revelam. Onde meus olhos têm paz. Não porque se embriagam do veneno do outro; mas porque páram de olhar pra dentro.

    A Beleza de ver pela fresta da porta e saber que dentro do vão vazio a Verdade dança rodopiante, sem medo de destruir o assoalho. Já não há chão embaixo dos pés, porque estamos suspensos pela certeza de que estamos seguindo pra frente. E temos a leveza de um piscar de olhos. Quanto isso pesa?

    Quero me casar com a Beleza. Com esta que trago laçada à minha cintura. A que extermina meus medos com um sorrriso doce de quem se sabe mais forte. (Gigante mirando o alto da cabeça no anão).

    Minha Beleza é imensa. E do alto de seus ombros posso me enxergar como nunca antes pude.

    (...)

    Por isso vou me casar com ela. Hoje mesmo. Porque amanhã talvez eu esqueça que já faz muito que decidi ser feliz do meu jeito...



    Escrito por A dona do jardim às 08h24
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